A carga tributária indireta sufoca o poder de compra dos assalariados. E a alta informalidade gera um enorme exército de reserva de força de trabalho que pressiona, negativamente, as rendas salariais praticadas no país.
Por *Ranulfo Vidigal
Começo este artigo destacando uma inegável distorção que precisa ser combatida com vigor. Senão vejamos: Com dívidas de curto prazo e taxas abusivas de juros, o nível de comprometimento da renda das famílias brasileiras atinge 27%, sendo quase o triplo na comparação com países como o Reino Unido, e oito vezes mais se compararmos com Portugal. Somente com os caríssimos juros, a quantia despendida atinge 10% da renda familiar. Uma verdadeira calamidade!
Para uma adequada compreensão de nossos leitores do grau de potencial da oitava economia do planeta destacaria quatro frentes de expansão de nossa economia tupiniquim. Com forte inserção internacional destacaria o conjunto de atividades intensivas em recursos naturais, como exportação de alimentos (soja, milho, carnes, suco de laranja, café, açúcar, pescado, mel). São aquelas geradoras de saldos em dólares, que fortalecem o volume de reservas cambiais do país.
O adensamento dessas cadeias produtivas e a industrialização geradora de maior complexidade é um desafio, nestes tempos de guerra tarifária, imposta pelo governo americano. Por outro lado, o fortalecimento da oferta de alimentos gera soberania alimentar, outro tema crucial!
Uma segunda fonte de expansão seriam as atividades intensivas em infraestrutura, aproveitando a característica de uma país continental, com múltiplas realidades sociais e ambientais. Destacaria a expansão da rede metroviária, a recuperação das estradas, das ferrovias, das hidrovias e a construção das infovias, bem como a oferta de energia, saneamento e serviços urbanos nas grandes regiões metropolitanas que abrigam metade de nossa população.
Além de gerar salário indireto para nossa laboriosa força de trabalho, a melhoria destes setores poderia gerar alívio ao cotidiano das populações periféricas e incremento da qualidade de vida. Hoje o trabalhador gasta muito tempo no deslocamento casa-trabalho, tanto pelas distâncias, quanto pelos engarrafamentos.
O elevado nível de concentração de renda e riqueza determina a terceira frente de expansão que se concentra nos serviços socias. Nossa inserção dependente com o exterior força a prática de baixos salários pelo empresariado (90% dos novos empregos formais paga apenas dois SM.) A carga tributária indireta sufoca o poder de compra dos assalariados. E a alta informalidade gera um enorme exército de reserva de força de trabalho que pressiona, negativamente, as rendas salariais praticadas no país.
E finalmente a produção e o consumo de massa de uma população de 215 milhões de brasileiros. Nesse ramo temos uma indústria de bens salários e serviços como saúde, educação e transferências de renda. Dos 19%, em relação ao PIB, que o Orçamento Federal movimenta, uma parcela muita expressiva se orienta para estes setores, que contribuem para a redução das desigualdades regionais e pessoais na sociedade brasileira.
Num próximo artigo prometo aprofundar outras potencialidades e contradições de nossa economia e a necessidade de um profundo debate de alternativas, na medida em que se aproxima mais um ciclo eleitoral em nosso país.
*Ranulfo Vidigal – economista






