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MP aponta bicheiro Adilsinho como mandante de morte de advogado no Rio

Ministério Público denuncia quatro homens pela morte do advogado Rodrigo Crespo, morto a tiros no Centro do Rio em 2024.

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou quatro homens por participação no assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, morto a tiros no Centro do Rio em fevereiro de 2024, e apontou o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, como mandante do crime.

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De acordo com a denúncia, Adilsinho lidera uma organização criminosa ligada à exploração ilegal de jogos de azar, ao contrabando de cigarros e à prática de homicídios.

Um dos denunciados, o policial militar da ativa Renato Franco Lopes, conhecido como Pitbull ou Fantasma, foi preso nesta segunda-feira (24). Outros dois já estavam presos e um permanece foragido.

A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) após inquérito concluído pela Delegacia de Homicídios da Polícia Civil do Rio.

Rodrigo Crespo foi morto a tiros em 26 de fevereiro de 2024, na Avenida Marechal Câmara, no Centro do Rio, em frente à sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ). O advogado foi atingido por diversos disparos e morreu no local.

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Participação de cada denunciado

Segundo o Ministério Público, a participação dos denunciados no crime foi a seguinte:

  • Adilsinho: denunciado como mandante da execução — preso anteriormente.
  • Ryan Patrick Barboza de Oliveira, o Motinha: responsável por monitorar a rotina da vítima nos dias anteriores ao atentado — preso anteriormente.
  • Rafael Ferreira Silva, o Cachoeira (foragido), e Renato Franco Lopes, o Pitbull ou Fantasma (preso nesta segunda-feira): atuaram diretamente na operação, ocupando o veículo usado na ação criminosa e no apoio à fuga dos executores.

As conclusões da investigação foram baseadas em quebras de sigilo telefônico e telemático, cruzamento de dados de localização de celulares, imagens de câmeras de segurança, rastreamento de veículos e análises periciais. Segundo os investigadores, esses elementos permitiram reconstituir o monitoramento da vítima e identificar a participação dos denunciados.

A polícia afirma que Rodrigo Crespo vinha sendo acompanhado em seus deslocamentos entre a residência, na Barra da Tijuca, e o escritório, no Centro do Rio. Veículos utilizados pelo grupo foram identificados próximo aos endereços ligados ao advogado nos dias anteriores ao crime.

Ryan Patrick foi preso durante as investigações de outro crime ligado à quadrilha de Adilsinho: a morte de Antônio Gaspazianne Mesquita Chaves, dono do bar Parada Obrigatória, ocorrida em 2024, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio.

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Já Rafael Ferreira da Silva, o Cachoeira, está foragido depois de ter conseguido fugir de uma operação da própria Delegacia de Homicídios da Capital em 2025. Ele é apontado pela investigação como o motorista do veículo utilizado para cometer o homicídio do advogado.

Investimento em apostas teria motivado o crime

A principal linha adotada pela investigação é que o assassinato teve relação com interesses econômicos da organização criminosa. Segundo a denúncia, Rodrigo Crespo estudava projetos relacionados ao mercado de apostas e jogos online e buscava investidores para empreendimentos no setor.

Para o Ministério Público, há indícios de que esse movimento passou a ser visto pelo grupo criminoso como uma ameaça a atividades consideradas estratégicas para a organização liderada por Adilsinho. Os promotores sustentam que a execução teria servido não apenas para eliminar um possível concorrente, mas também para transmitir uma mensagem de intimidação a terceiros interessados no mesmo mercado.

Segundo o Ministério Público, o desejo da vítima de entrar no mercado de bets e abrir uma casa de apostas em Botafogo, na Zona Sul do Rio, foi o motivo de sua execução. A investigação aponta que a Zona Sul, que até o início de 2023 era dominada por Bernardo Bello, representante da família Garcia, havia passado para o controle do bicheiro Adilsinho.

MP descreve emboscada planejada em etapas

A investigação concluiu que o homicídio foi resultado de uma ação planejada e executada de forma coordenada. Segundo o Ministério Público, a vítima foi monitorada por vários dias, houve divisão de tarefas entre os participantes e a execução ocorreu após levantamento detalhado da rotina do advogado.

A denúncia classifica o crime como homicídio qualificado por motivo torpe, cometido mediante emboscada e com recurso que dificultou a defesa da vítima. A promotoria também sustenta que a ação apresenta características de atividade típica de grupo de extermínio, diante do planejamento, da logística empregada e do uso de armamento de uso restrito.

MP pede prisão preventiva dos quatro denunciados

O Ministério Público requereu a prisão preventiva dos quatro denunciados. No caso de Renato Franco Lopes, o MP também pediu o afastamento cautelar do cargo de policial militar e a suspensão do porte de arma de fogo.

Adilsinho já está preso em penitenciária federal. Na denúncia, o Ministério Público afirma que ele exerce papel de liderança em uma organização criminosa com atuação em homicídios, jogos ilegais e contrabando de cigarros, e defende sua permanência em unidade federal de segurança máxima.

Para os investigadores, o assassinato de Rodrigo Crespo não foi um crime isolado, mas parte da atuação de uma estrutura criminosa organizada, com integrantes responsáveis por monitoramento, logística e execução de homicídios voltados à proteção dos interesses econômicos do grupo.

Três réus já foram condenados em março

Em março de 2026, a Justiça do Rio condenou três réus pela morte de Crespo. Os réus foram julgados em júri popular por homicídio triplamente qualificado e concurso de pessoas, com agravantes de emboscada, recurso que dificultou a defesa da vítima, motivo torpe, uso de arma de fogo de uso restrito e vantagem para a organização criminosa:

  • Leandro Machado da Silva: 30 anos de prisão
  • Cezar Daniel Mondego: 30 anos de prisão
  • Eduardo Sobreira de Moraes: 30 anos de prisão

“Ele (Crespo) queria montar esse Sports Bar na área do patrão deles”, declarou o promotor do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) Bruno Bezerra, durante o julgamento de Machado, Sobreira e Mondego.

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