segunda-feira, 14 setembro, 2026
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STF retira sigilo de processo sobre pagamentos de Vorcaro

André Mendonça atendeu a determinação de Fachin e derrubou sigilo sobre 54 linhas de investigação da Operação Compliance Zero.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo sobre um processo que trata da rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

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A medida foi tomada após determinação do presidente do STF, ministro Edson Fachin. Mais cedo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia opinado pela retirada do sigilo que ainda vigorava sobre o processo.

Fachin, por sua vez, havia sido acionado pelo ministro Alexandre de Moraes, que em ofício classificou como essencial a quebra do sigilo da petição sobre os pagamentos de Vorcaro antes do julgamento marcado para terça-feira (15).

Com a nova retirada de sigilo, o STF derrubou o segredo judicial sobre 54 linhas de investigação derivadas da Operação Compliance Zero, que apura corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas por Vorcaro.

Julgamento de terça deve analisar mensagens de Vorcaro

No julgamento de terça-feira, os ministros devem analisar um relatório da Polícia Federal (PF) que traz 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Vorcaro a Moraes, com quem o ex-banqueiro demonstra ter relação próxima. O plenário também decidirá sobre a abertura de investigação a respeito de Moraes.

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O material foi recuperado do celular apreendido de Vorcaro. As mensagens foram enviadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso preventivamente.

Nas mensagens, Vorcaro aparenta compartilhar com Moraes um contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, o ex-banqueiro busca informações sobre a operação da PF para prendê-lo. Segundo os investigadores, as respostas do interlocutor não puderam ser recuperadas.

O relatório veio à tona no início de setembro, quando o sigilo sobre o material foi retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo. O ato desencadeou uma crise sem precedentes na Corte, com embate entre os ministros.

A PGR pediu ao Supremo a anulação do relatório, sob argumento de irregularidades em sua produção. Segundo o órgão, o relator não poderia ter autorizado o avanço das investigações sobre um ministro do Supremo sem informar previamente o plenário.

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Moraes rebate e pede investigação contra Mendonça

Em resposta, Moraes divulgou o que classificou como um “relatório de inteligência” da PF, segundo o qual haveria direcionamento das investigações do caso Master por Mendonça, com o objetivo de atingir desafetos políticos.

O documento não é assinado nem traz o timbre da corporação, e apresenta na capa o alerta de que o material foi produzido como conjectura e “sem valor probatório”, segundo a própria peça.

Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O presidente do Supremo marcou o julgamento deste pedido para o dia 23 de setembro.

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