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Processos contra casas de apostas crescem 1.087% no TJRJ em dois anos

Ações contra casas de apostas no Tribunal de Justiça do Rio passaram de 58 para 689 entre 2024 e 2026. Apostadores cobram mais de R$ 20 milhões.

O número de processos relacionados a plataformas de apostas no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) saltou de 58, em 2024, para 689, em 2026. O crescimento foi de 1.087% no período, segundo os dados divulgados pela Agência Brasil.

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As ações envolvem diferentes conflitos entre apostadores e empresas do setor. Entre as principais queixas estão prêmios que não teriam sido pagos, mudanças nas cotações das apostas, bloqueios de contas, dificuldades para sacar valores e cláusulas consideradas abusivas.

Apostadores cobram mais de R$ 20 milhões

Entre as empresas com maior número de processos no TJRJ estão a Kaizen Gaming Brasil Ltda., a HS do Brasil Ltda. e a Ana Gaming Brasil S.A., responsáveis pelas marcas Betano, Bet365 e 7K Bet, respectivamente.

De acordo com os dados divulgados, os valores cobrados pelos apostadores contra essas três empresas ultrapassam R$ 20 milhões.

Desembargador alerta para impactos sociais das apostas

O aumento das ações judiciais ocorre em meio à discussão sobre os efeitos econômicos e sociais das apostas on-line. Dados da terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, citados pela Agência Brasil, apontam que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões com bets em 2025.

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Para o desembargador Peterson Barroso Simão, integrante da Segunda Câmara Criminal do TJRJ, a dimensão dos recursos movimentados pelas apostas ajuda a explicar o crescimento dos conflitos que chegam ao Judiciário.

O magistrado defende medidas de prevenção, limites à publicidade, mecanismos de proteção aos usuários e fiscalização mais rigorosa.

Segundo ele, pessoas que desenvolvem uma relação compulsiva com jogos precisam de apoio psicológico, acompanhamento familiar e tratamento, além de eventuais medidas judiciais.

Endividamento e conflitos familiares preocupam

O desembargador também aponta dificuldades para estabelecer juridicamente a relação entre a atividade das plataformas e consequências que podem surgir ao longo do tempo, como endividamento, rompimento de vínculos familiares e agravamento de problemas psicológicos.

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Na avaliação de Peterson Barroso Simão, investir na prevenção pode reduzir os custos sociais e evitar que esses conflitos se multipliquem nos tribunais.

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