Polícia Civil aponta que táxis do Galeão usavam acionador escondido para elevar a tarifa. Passageiro pagou quase R$ 900 até a Barra da Tijuca.
Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro apontou o uso de um dispositivo escondido em táxis que faziam ponto no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, na Ilha do Governador, para elevar o valor das corridas.
A apuração começou em janeiro, depois de uma denúncia. Em um dos casos analisados, um passageiro pagou quase R$ 900 por uma corrida entre o Galeão e a Barra da Tijuca, na Zona Oeste.
A peça ficava atrás do botão que abre o porta-malas e se ligava a um acionador instalado sob o carpete ou no forro do carro. Dessa forma, o motorista ativava o equipamento sem que o passageiro percebesse.
Aparelho passava a marcar a corrida ao ser acionado
Um vídeo gravado durante a investigação mostra um policial com o taxímetro parado. Ao acionar o dispositivo, o aparelho começa a registrar a corrida na hora. Para os investigadores, o motorista ligava a peça depois que o passageiro entrava no veículo.
A polícia apreendeu outros equipamentos eletrônicos, que são investigados como possíveis instrumentos para alterar o preço das corridas.
O delegado Victor Tutmann contou que um dos motoristas foi abordado enquanto circulava pelo Rio e tentou se desfazer do dispositivo. Segundo ele, a peça impulsionava o taxímetro para gerar sobrepreço.
Aliciadores levavam turistas aos veículos do esquema
A investigação também identificou os chamados “jóqueis”. De acordo com a polícia, eles ficavam na área de desembarque do Galeão, abordavam passageiros, em especial turistas, e os levavam aos táxis ligados ao esquema.
Um vídeo obtido pelos investigadores mostra um homem de camisa azul, com o celular na mão, na saída do aeroporto. A polícia afirma que ele seria um dos responsáveis por direcionar os passageiros.
Os motoristas investigados não integravam as cooperativas que atendem oficialmente o aeroporto. Os carros eram alugados de uma única empresa e retirados em um pátio no Rocha, na Zona Norte. Depois, seguiam para uma oficina em Piedade, também na Zona Norte, onde recebiam o equipamento.
O caso é conduzido por agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes de Propriedade Imaterial, da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo e da Delegacia do Aeroporto Internacional.
Empresa, oficina e cooperativa respondem
A reportagem não teve acesso ao depoimento do homem de camisa azul, apontado pela polícia como “jóquei”.
O grupo Império Táxis, de onde saíam os carros alugados, informou que mantém compromisso com a legalidade e a transparência. A empresa disse estar à disposição das autoridades e dos órgãos competentes para colaborar com a investigação.
A reportagem procurou a Oficina Capelinha, mas não obteve resposta até a última atualização deste texto.
A AeroCoop, cooperativa que atua no Galeão, esclareceu que não tem vínculo com os grupos que atuam de forma ilícita.







