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PF prende deputado Márcio Canella em operação sobre lavagem de dinheiro

Polícia Federal prende o deputado Márcio Canella e o delegado Marcus Amim em investigação sobre suposta lavagem de dinheiro em postos de combustíveis.

A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, e o delegado Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, durante a Operação Unha e Carne 8. A investigação apura a suspeita de que uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio tenha sido utilizada para lavagem de dinheiro.

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Segundo a PF, o grupo investigado teria participação de agentes públicos e articulação político-institucional. Canella e Amim são investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e formação de cartel, entre outros crimes.

A operação desta quinta-feira é um desdobramento das etapas anteriores da investigação, iniciada em dezembro de 2025. Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão, com diligências no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios.

Canella foi preso em casa, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Entre os presos estão também os inspetores da Polícia Civil Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo.

O delegado Glaucio Paz da Silva foi alvo de mandado de busca e apreensão.

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Decisão do STF determina prisões e bloqueios

As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como desdobramento da sexta fase da operação, realizada em julho.

Na ocasião, Canella e Amim foram alvos de buscas em uma investigação sobre 96 postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio. Segundo os investigadores, o esquema teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos.

Naquele dia 7 de julho, Canella foi preso em flagrante depois que agentes encontraram um fuzil em seu carro. A prisão ocorreu por suspeita de posse ilegal de arma de fogo. Três dias depois, em 10 de julho, Moraes determinou a soltura do deputado, com medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Canella deixou a prisão no dia seguinte, e as restrições foram revogadas em 23 de julho.

A apreensão da arma também deu origem a outra frente de investigação. Em setembro, a sétima fase da Unha e Carne teve como alvo o vereador do Rio de Janeiro Jorge Canella (União Brasil), preso em flagrante por posse irregular de armas de uso restrito. Na casa dele, os agentes encontraram fuzis e uma submetralhadora.

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Jorge não é parente de Márcio Canella, mas adotou o sobrenome do padrinho.

Na nova etapa, Moraes também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas, a maioria postos de combustíveis.

A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento dos mandados contra os policiais civis investigados.

De acordo com a PF, além de organização criminosa armada, os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis, formação de cartel e outros crimes que venham a ser identificados.

A investigação está relacionada à decisão do STF no julgamento da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que determinou, entre outras medidas, que a Polícia Federal apurasse relações entre agentes públicos e facções criminosas.

Relatório financeiro levou investigadores à rede de postos

As apurações tiveram início após um relatório de inteligência financeira encaminhado à PF pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento apontou que o grupo teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos.

Em 7 de julho, durante a sexta fase da operação, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão. O foco era a suspeita de utilização de postos de combustíveis como estrutura para lavagem de dinheiro, com possível participação de agentes políticos.

Antes disso, em 2 de julho, o empresário Fernando Trabach Gomes, dono de postos de combustíveis, havia sido alvo de buscas na quinta fase da operação. As diligências procuravam esclarecer possíveis ligações do empresário com o então governador Cláudio Castro (PL) e com Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Durante a campanha à reeleição de Castro, em 2022, postos de combustíveis ligados a Trabach abasteceram a maior parte da frota utilizada pelo então candidato ao governo estadual.

Investigação começou com suspeita de vazamento de informações

A Operação Unha e Carne teve início em dezembro de 2025, com foco em suspeitas de vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais contra o Comando Vermelho (CV). Segundo a PF, o compartilhamento de dados sensíveis teria comprometido operações e beneficiado investigados ligados à facção.

Na primeira fase, o alvo foi Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj. A Polícia Federal suspeita que ele tenha vazado informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025 contra o Comando Vermelho.

O principal beneficiado pelo suposto vazamento seria o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado pelos investigadores como articulador político da facção e preso na Operação Zargun. Segundo a PF, a divulgação antecipada de informações teria permitido a destruição ou ocultação de provas.

Bacellar foi preso preventivamente por decisão de Alexandre de Moraes, mas acabou solto dias depois, após decisão do plenário da Alerj, com medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

Na segunda fase, ainda em dezembro de 2025, a PF aprofundou a investigação sobre a origem dos vazamentos e prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).

A suspeita dos investigadores era de que as informações tivessem partido do Judiciário federal e sido repassadas pelo magistrado a Bacellar, que as teria transmitido a TH Joias. A PF informou ter encontrado mensagens, registros de ligações e indícios de proximidade entre o desembargador e o deputado.

Prisões anteriores ampliaram o alcance da operação

A terceira fase foi deflagrada em 27 de março de 2026, quando Rodrigo Bacellar foi preso novamente, em casa, em Teresópolis, na Região Serrana. A medida foi determinada após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no caso relacionado ao escândalo da Ceperj, e após denúncia formal apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), em 16 de março.

Nessa etapa, a PF também relacionou diretamente a investigação à ADPF 635. A denúncia da PGR incluiu Bacellar, TH Joias, o desembargador Macário Júdice Neto e outros investigados, com suspeitas de uma cadeia de proteção institucional ao crime organizado.

Na quarta fase, em 5 de maio de 2026, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso. Ele é suspeito de comandar um esquema de fraudes em procedimentos de compra de materiais e contratação de serviços, incluindo obras de reforma, no âmbito da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc).

As apurações indicaram possíveis direcionamentos de contratações feitas por escolas estaduais vinculadas à Diretoria Regional Noroeste da Seeduc para empresas previamente selecionadas e relacionadas ao esquema investigado.

A quinta fase, em 2 de julho, teve como alvo o pastor Márcio Poncio, investigado por suposta ligação com a chamada Máfia do Cigarro. Também foram cumpridos mandados de prisão contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e Rodrigo Bacellar, que já estavam presos.

As investigações relacionadas a Adilsinho começaram em 2021 e incluíram a Operação Smoke Free, deflagrada em novembro de 2022. Em um dos endereços ligados ao bicheiro, a PF encontrou listas de políticos dentro de uma mala de couro, na cabeceira da cama.

Segundo apuração do Blog do Octavio Guedes, no g1, o ex-governador Cláudio Castro e o ex-deputado Alexandre Ramagem aparecem em uma das relações. A PF não divulgou nomes, mas informou investigar a suspeita de recebimento de doações de campanha provenientes de Adilsinho em 2022.

De acordo com os investigadores, as planilhas encontradas continham registros relacionados a possíveis pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade associada à lavagem de capitais. A PF afirmou que os documentos indicavam possíveis repasses diretos a agentes políticos do estado.

Em 2024, o g1 publicou reportagem sobre a atuação da Máfia do Cigarro, que, segundo a investigação, controlava a venda de cigarros em pelo menos 45 dos 92 municípios fluminenses.

A sexta fase, em 7 de julho, voltou-se à suposta lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis e teve Canella e Amim entre os alvos. A sétima etapa, em 22 de setembro, investigou a posse irregular de armas por Jorge Canella.

A oitava fase, deflagrada nesta quinta-feira (15), amplia a apuração sobre a suposta atuação de uma organização criminosa armada e possíveis conexões entre agentes públicos, empresas e atividades ilegais no Rio de Janeiro.

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