terça-feira, 15 setembro, 2026
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Mulher de Rodrigo Bacellar relata condições na prisão em Mossoró

Manoella Duarte relata condições de Rodrigo Bacellar na Penitenciária Federal de Mossoró. Senappen afirma que presos recebem assistência prevista em lei.

A empresária Manoella Duarte relatou nas redes sociais condições enfrentadas pelo marido, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar (União Brasil), durante a prisão na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

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Segundo Manoella, ela visitou Bacellar na quinta-feira (10), após dois meses sem vê-lo. Na ocasião, afirmou ter observado marcas de alergia pelo corpo e ouvido relatos sobre dificuldades para dormir, tomar banho e lidar com uma inflamação em um dedo do pé.

A empresária disse que o marido apresentava marcas provocadas por algemas e relatou que utiliza um caneco para tomar banho. Segundo ela, a cela não possui ventilador e Bacellar espalha sabonete pelo corpo antes de dormir para tentar evitar picadas de mosquitos.

Manoella também afirmou que a inflamação no dedo provocava dores. Segundo o relato, Bacellar chegou a colocar o pé dentro de comida quente como tentativa de aliviar o incômodo.

Outro ponto citado pela empresária envolve o atendimento médico. De acordo com ela, há assistência na unidade prisional, mas existem restrições para a entrada de medicamentos prescritos pelos profissionais que acompanham Bacellar.

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A empresária também relatou dificuldades relacionadas ao banho de sol. Segundo Manoella, os horários são divididos entre grupos rivais no sistema prisional, o que impediria Bacellar de utilizar o benefício nos mesmos períodos de outros presos.

Na publicação, Manoella afirmou que não pretende discutir o processo judicial ou as acusações contra o marido. Ela disse confiar na Justiça e defendeu que as condições de custódia assegurem os direitos básicos das pessoas privadas de liberdade.

“Não peço privilégio. Não peço tratamento diferenciado. Peço o mínimo: água, ventilador e atendimento médico adequado à situação dele”, escreveu Manoella.

A empresária também destacou que Bacellar é preso provisório e ainda não foi julgado ou condenado. As declarações foram feitas em uma publicação nas redes sociais, após a visita realizada na unidade prisional.

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Procurada sobre os relatos, a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) informou que todos os presos do Sistema Penitenciário Federal recebem a assistência prevista na Lei de Execução Penal e são atendidos conforme os protocolos das unidades.

Segundo a Senappen, todas as penitenciárias federais possuem Unidade Básica de Saúde (UBS), atendimento por telemedicina e equipes multiprofissionais. A estrutura conta com médicos, farmacêuticos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e outros especialistas.

A secretaria informou ainda que não divulga informações individualizadas sobre estado de saúde, diagnósticos, tratamentos ou uso de medicamentos de pessoas privadas de liberdade. De acordo com o órgão, a medida segue o sigilo médico e a legislação de proteção de dados pessoais.

Bacellar responde a ação por suposto vazamento da Operação Zargun

Em agosto, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, receber a denúncia contra Rodrigo Bacellar e outros quatro investigados. A decisão envolve suspeitas relacionadas ao vazamento de informações de uma operação policial.

Também se tornaram réus o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias; o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto; Jéssica de Oliveira Santos, mulher de TH Joias; e Thárcio Nascimento Salgado.

O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, teve o voto acompanhado por Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. A decisão recebeu a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo a PGR, os cinco denunciados teriam atuado entre 2 e 3 de setembro de 2025 para repassar informações sobre a Operação Zargun. A acusação afirma que o vazamento permitiu a TH Joias retirar objetos de sua residência antes da chegada dos policiais.

No voto, Moraes afirmou que os elementos reunidos durante a investigação apontam para o possível crime de obstrução de investigação contra organização criminosa armada.

Segundo o ministro, há indícios de que os denunciados teriam agido em conjunto para dificultar investigações que tramitavam no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).

A investigação trata de uma organização criminosa apontada como especializada em tráfico internacional de armas e drogas, corrupção de agentes públicos e lavagem de capitais, conforme a acusação apresentada pela PGR.

Moraes também mencionou que Bacellar admitiu ter conversado com Thiego Raimundo sobre a operação policial em 2 de setembro de 2025, na sede do Poder Legislativo do Rio de Janeiro.

De acordo com o voto, a PGR relacionou esse contato à comunicação entre a Polícia Federal e o gabinete do desembargador sobre a data prevista para a deflagração da operação.

Para Moraes, a denúncia aponta que os acusados teriam repassado informações sigilosas sobre a ação policial com a finalidade de retirar elementos probatórios e dificultar a investigação envolvendo o Comando Vermelho.

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