Le Monde, The Guardian, BBC e outros veículos internacionais repercutem a reeleição de Lula e destacam desafios políticos e econômicos.
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, neste domingo (25), ganhou destaque em veículos de imprensa da Europa e da Ásia. Jornais e agências internacionais analisaram o resultado da disputa com Flávio Bolsonaro e os desafios políticos e econômicos do novo mandato.
O francês Le Monde classificou a vitória como “nada menos do que um milagre, considerando o quanto as pesquisas apontavam o contrário”. O jornal destacou a mobilização nas ruas e nas redes sociais como um dos principais fatores para a virada.
No primeiro turno, Lula havia obtido 45,16% dos votos, contra 47,03% de Flávio Bolsonaro. Segundo a análise publicada pelo periódico, a reversão da desvantagem era considerada improvável por analistas.
O Le Monde também relacionou o resultado à rejeição de parte do eleitorado ao retorno da extrema direita ao Palácio do Planalto. O jornal citou preocupações com a democracia, a soberania nacional, a proteção da Amazônia e a justiça social.
O britânico The Guardian interpretou a vitória como uma derrota para a Casa Branca e descreveu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como “o aliado internacional mais importante do clã Bolsonaro”. A publicação também abordou a expectativa norte-americana de ampliar a presença de governos alinhados a Trump na América Latina.
Já a BBC destacou os desafios que Lula enfrentará após a comemoração. A emissora apontou a divisão do eleitorado e a composição conservadora do Congresso como obstáculos à articulação política durante o novo mandato.
A rede britânica também observou que a vitória de Lula contrasta com o avanço de governos conservadores na região. Segundo a análise, o Brasil ocupa posição estratégica nas relações entre América Latina, Estados Unidos e China, devido ao peso econômico do país e à relação com Pequim.
Desafios fiscais e relação com o Congresso
Uma análise publicada pela agência Reuters, assinada pelo jornalista Brendan O’Boyle, apontou a política fiscal e a resistência do Legislativo como dois dos principais desafios do novo mandato.
Entre os pontos de tensão estão as propostas de manter os aumentos do salário mínimo acima da inflação e de reduzir incentivos fiscais. Segundo o texto, essas medidas enfrentam pressão por controle da dívida pública e resistência de parlamentares.
A análise também prevê dificuldades para a aprovação de indicações a cargos estratégicos em órgãos reguladores, no Banco Central e no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o artigo, o Congresso poderá bloquear ou atrasar nomeações feitas pelo presidente.
No Japão, o Japan Times classificou a vitória de Lula como “chocante” e chamou o presidente de “presidente icônico da classe trabalhadora brasileira”.
Governos estrangeiros parabenizam Lula
Líderes e representantes de governos estrangeiros também se manifestaram nesta segunda-feira sobre a vitória de Lula. A China divulgou uma nota por meio do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, na qual afirmou estar disposta a aprofundar a cooperação com o Brasil.
“A China está disposta a trabalhar com o Brasil para continuar a avançar na construção de uma comunidade de futuro compartilhado entre os dois países”, declarou o governo chinês.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, também parabenizou Lula pela reeleição. Na mensagem, destacou o reconhecimento dos eleitores às qualidades de liderança do brasileiro e o apoio à política de desenvolvimento socioeconômico e à defesa da soberania nacional.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também publicou uma mensagem direcionada a Lula. “Parabéns ao amigo Lula pela sua vitória eleitoral. A democracia e o multilateralismo venceram no Brasil”, escreveu.







