Com a saída do Senado em 2027, Flávio Bolsonaro pode continuar investigado no STF por fatos relacionados ao mandato.
Derrotado na disputa pela Presidência, Flávio Bolsonaro deixará o Senado em 31 de janeiro de 2027. A saída não transfere automaticamente as investigações para a primeira instância. O Supremo Tribunal Federal (STF) poderá manter os casos relacionados ao exercício do cargo.
Desde março de 2025, o Supremo entende que o foro pode continuar mesmo após a saída da autoridade, quando os possíveis crimes têm relação com as funções desempenhadas. A regra também pode valer para inquéritos iniciados depois do fim do mandato.
Investigação sobre o filme Dark Horse
Uma das principais apurações está sob relatoria do ministro André Mendonça e trata do financiamento do filme Dark Horse, sobre a vitória de Jair Bolsonaro em 2018. O caso analisa repasses de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e envio irregular de recursos ao exterior.
Mensagens e áudios mostram Flávio cobrando pagamentos a Vorcaro, segundo o Metrópoles. A Polícia Federal apura a origem e o destino do dinheiro e se todo o valor foi usado na produção. Flávio diz que buscou patrocínio privado e nega ter oferecido vantagens ao banqueiro.
A investigação foi aberta separadamente, mas tem ligação com o inquérito sobre fraudes no Banco Master. Essa conexão poderá influenciar a decisão sobre a permanência do caso no Supremo.
Outras investigações
A PF também examina o financiamento da mansão comprada por Flávio e sua mulher, Fernanda, em 2021. O imóvel custou R$ 5,97 milhões, e a apuração analisa um empréstimo de R$ 3,1 milhões do Banco de Brasília (BRB). O senador e o banco afirmam que a operação foi regular.
Outra frente envolve o advogado Willer Tomaz e suspeitas de lavagem de dinheiro em negócios ligados a empresas financeiras e casas de apostas. Alexandre de Moraes autorizou acesso a dados bancários e fiscais e bloqueou bens até R$ 6 bilhões. Flávio e Tomaz negam irregularidades.
O que muda com o fim do mandato
Se algum caso permanecer no STF, caberá à Procuradoria-Geral da República decidir sobre eventual denúncia. A saída do Senado também elimina a possibilidade de a Casa suspender ação penal por crime cometido após a diplomação.
As suspeitas de “rachadinha” no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio tiveram provas anuladas e acusação rejeitada pelo Tribunal de Justiça. Uma retomada exigiria novas provas obtidas legalmente e dependeria da definição do tribunal responsável.







