Estudo de R$ 5,6 milhões vai analisar erosão em Atafona e Açu, onde o mar já destruiu mais de 500 casas em São João da Barra.
Um estudo de R$ 5,6 milhões vai investigar o avanço do mar em Atafona e Açu, em São João da Barra, onde a erosão costeira já destruiu mais de 500 casas e um prédio desde a década de 1950.
O Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) teve os trabalhos de campo iniciados nesta terça-feira (6). A pesquisa será realizada pela SEACaruso, subsidiária do Grupo Caruso, contratada pela prefeitura.
A investigação terá duração prevista de 18 meses e reunirá profissionais de 29 áreas. O objetivo é analisar a relação entre o oceano, o rio Paraíba do Sul, os sedimentos, os ambientes naturais e a ocupação do território.
A partir da próxima terça-feira (13), moradores de Atafona e Açu poderão buscar atendimento em módulos instalados nas duas localidades. Os espaços vão servir para esclarecimento de dúvidas e troca de informações com a equipe técnica.
Pesquisa reúne diferentes áreas de conhecimento
Pelo menos 211 moradores serão entrevistados durante o estudo. As equipes vão registrar percepções sobre as mudanças na costa e atividades relacionadas à pesca, navegação, turismo e lazer.
Ao g1, Francisco Caruso Jr., geocientista e CEO do Grupo Caruso, explicou que os trabalhos de campo avançam por etapas. A equipe se prepara para realizar perfis de praia, que dependem de condições adequadas da maré.
Segundo Caruso, a próxima fase incluirá levantamentos oceanográficos, com medições de marés, correntes e ondas. Os dados serão usados na modelagem que vai avaliar alternativas para a erosão costeira.
Erosão já atingiu sete quarteirões
Dados de monitoramento da Universidade Federal Fluminense (UFF) apontam que o avanço do mar já provocou a perda de mais de 500 casas e um prédio desde a década de 1950.
Em Atafona, na foz do rio Paraíba do Sul, estudos históricos indicam perdas e danos em até sete quarteirões da costa até 2019. Em outros trechos ao sul, pesquisas identificaram avanço da faixa de areia.
A oceanógrafa Clarissa Menin, diretora técnica da SEACaruso Soluções Oceânicas & Energias Renováveis, explica que a pesquisa busca aprofundar a compreensão sobre essas diferenças ao longo da costa.
Nesta primeira etapa, as equipes fazem medições de correntes e níveis da água no rio Paraíba do Sul. Também são monitorados ondas, correntes marítimas e sedimentos na faixa costeira.
Moradores relatam impactos da erosão
Entre os moradores afetados está Lúcia Helena, de 58 anos, que vive em Atafona há mais de 40 anos. Marisqueira, ela perdeu a casa em 2021 e teve o trabalho interrompido pela erosão.
Segundo Lúcia, a casa onde morava também era usada para limpar peixes e camarões. Ela passou a receber aluguel social após perder o imóvel e relatou que outros moradores da região também foram afetados.
Modelos vão avaliar alternativas para a costa
Após a coleta de dados, as informações serão integradas a modelos matemáticos para simular o comportamento de ondas, correntes e sedimentos na região de São João da Barra.
Entre as alternativas que poderão ser avaliadas estão a reposição de areia, recuperação de praias e dunas e implantação de estruturas de proteção costeira.
Ao fim dos 18 meses, o EVTEA deverá reunir informações técnicas, ambientais, econômicas e sociais para orientar futuras decisões sobre a erosão em Atafona e Açu.
O estudo também deverá servir de base para a busca de recursos destinados a possíveis intervenções na costa de São João da Barra.







