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Mãe e irmão de Oruam são presos em operação contra monopólio de internet do CV

PF prende mãe e irmão do rapper Oruam em operação contra monopólio de internet do Comando Vermelho. Ação bloqueia até R$ 558 milhões.

A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira (19) Márcia Gama Nepomuceno, mãe do rapper Oruam, e Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca, irmão do artista. Os dois são alvos da Operação Backbone, que investiga o monopólio de serviços de internet imposto pelo Comando Vermelho (CV) em comunidades do Rio de Janeiro.

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Os mandados de prisão foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Até a última atualização desta reportagem, 19 mandados haviam sido cumpridos. Entre os presos está o vereador do Rio de Janeiro Fabio Silva (Podemos), localizado em Londrina, no Paraná.

A operação também cumpriu um mandado de prisão contra Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, pai de Oruam, que já estava preso. Ao todo, os agentes saíram para cumprir 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão em municípios como Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Até a última atualização, não havia confirmação de que Oruam fosse investigado neste inquérito.

A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, envolvendo 40 pessoas físicas e 42 empresas. Também foi ordenada a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas, entre elas provedores de internet, produtoras de eventos, firmas de contabilidade e empresas apontadas como de fachada.

PF investiga rede de internet controlada pelo Comando Vermelho

A Operação Backbone busca desarticular a estrutura de provedores de internet ligada ao tráfico nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. Segundo a Polícia Federal, as empresas também seriam utilizadas para lavar dinheiro e financiar as atividades do Comando Vermelho.

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De acordo com os investigadores, Marcinho VP continuaria a controlar atividades empresariais nesses territórios com a participação de familiares e outras lideranças da facção. Os lucros seriam movimentados por empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem, antes de serem direcionados a outros negócios.

A PF afirma que os recursos eram dissimulados por meio de produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão pagos em dinheiro vivo e criptoativos. A investigação busca identificar os responsáveis pela estrutura financeira e empresarial associada ao grupo criminoso.

Moradores seriam obrigados a contratar internet do tráfico

Segundo a Polícia Federal, traficantes armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de operadoras regulares, além de impedir reparos nas redes concorrentes. Com isso, moradores e comerciantes seriam pressionados a contratar os serviços de provedores autorizados pela facção.

A investigação aponta que essas empresas pagariam mensalmente uma espécie de tarifa ao Comando Vermelho para operar nas comunidades dominadas pelo grupo. Registros contábeis da própria facção indicariam que, em um único mês, a cobrança sobre os serviços de internet respondeu por mais de 40% da arrecadação do grupo no Complexo da Penha.

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Para a PF, o controle territorial permite ao crime organizado manter uma base de clientes submetida à oferta de serviços e ampliar as fontes de receita. A exploração econômica da internet também estaria relacionada à disputa por territórios entre grupos criminosos.

Anatel deverá atuar para garantir serviço aos moradores

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será comunicada para adotar medidas de cassação das outorgas e interdição dos provedores investigados. Segundo a determinação, também deverão ser tomadas providências para garantir a continuidade do serviço de internet aos moradores das áreas afetadas.

Os investigados poderão responder por domínio social estruturado, crime relacionado ao uso de violência, grave ameaça ou coação para impor controle territorial e social, intimidar a população e atacar serviços essenciais.

A lista de possíveis crimes inclui ainda extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro.

A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas que atuam no Rio de Janeiro, conforme as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635.

Família de Oruam já foi alvo de outras investigações

Em abril, Márcia, Lucca e Oruam foram alvos de mandados de prisão em uma fase da Operação Contenção, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Na ocasião, eles eram suspeitos de lavar dinheiro para o Comando Vermelho, mas não foram encontrados.

Em maio, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou Marcinho VP, Márcia, Oruam e outras nove pessoas à Justiça por suspeita de envolvimento em crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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