Número de bicicletas elétricas, autopropelidos e ciclomotores passou de 7,6 mil para 284 mil no Brasil entre 2016 e 2024.
O número de bicicletas elétricas, autopropelidos e ciclomotores em circulação no Brasil cresceu significativamente, passando de 7,6 mil em 2016 para 284 mil em 2024, de acordo com dados do setor.
As bicicletas elétricas estão se tornando um elemento comum no cotidiano de grandes cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo. Embora sejam vistas como uma solução prática para deslocamentos, também levantam preocupações sobre a segurança nas vias urbanas, conforme destaca Luiz Saldanha, diretor executivo da Aliança Bike.
Conflitos e tragédias no trânsito
Saldanha comenta que o aumento no uso desses veículos não acompanhou um planejamento adequado das estruturas urbanas. “A população foi espontaneamente adotando essas bicicletas, mas agora é preciso discutir como integrar esses novos meios de transporte no dia a dia das cidades”.
A segurança é uma questão crítica, especialmente após tragédias envolvendo acidentes. Recentemente, um menino de 9 anos e sua mãe perderam a vida em um atropelamento enquanto usavam um autopropelido no Rio de Janeiro, evidenciando a necessidade urgente de melhores regulamentações.
Regulamentação e categorias de veículos
Atualmente, a regulamentação dos veículos de mobilidade no Brasil é definida pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). A resolução mais recente, de 2023, classifica os veículos em três categorias: bicicletas elétricas, autopropelidos e ciclomotores. As bicicletas elétricas são movidas por pedal assistido, enquanto os autopropelidos podem ser acelerados sem a contribuição do ciclista, com uma velocidade de até 32 km/h.
Os ciclomotores, por sua vez, não requerem pedalada e podem atingir até 50 km/h. Apenas os ciclomotores demandam habilitação e registro, o que levanta preocupações sobre a condução de autopropelidos por jovens.
A necessidade de adaptação urbana
Para Marcus Quintella, professor da Fundação Getulio Vargas, as cidades brasileiras enfrentam o desafio de se adaptar a essa nova realidade. “As cidades não foram planejadas para esses veículos, e as adaptações estão sendo feitas de forma emergencial”, analisa, ressaltando a importância de integrar as bicicletas, desde as convencionais até os ciclomotores, na matriz de transporte urbano.
Enquanto o uso de bicicletas elétricas continua a crescer, a discussão sobre segurança e infraestrutura urbana será crucial para garantir que essa forma de mobilidade se torne uma solução sustentável e segura para todos os cidadãos.







