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Trabalhador é resgatado de condição análoga à escravidão no Rio

Ajudante de peixaria na Zona Oeste do Rio dormia em caminhão sem luz, banheiro ou chuveiro. Ação resgata três pessoas e garante R$ 54 mil em direitos.

Um caminhão sem luz, sem banheiro e sem chuveiro era, ao mesmo tempo, moradia e local de trabalho de um ajudante de entregas em uma peixaria na Zona Oeste do Rio. O caso terminou em resgate por condição análoga à de escravo.

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O flagrante partiu de uma denúncia enviada ao Ministério Público do Trabalho. A partir dela, Auditores-Fiscais do Trabalho foram até o endereço em 19 de agosto e abordaram o trabalhador no retorno de uma entrega.

A ação não parou nele: outros dois funcionários do mesmo estabelecimento também foram encontrados sem carteira assinada. Ao todo, três pessoas trabalhavam sem qualquer formalização de contrato.

Para a Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE), o conjunto das irregularidades caracterizava submissão a condições degradantes, uma das formas de trabalho análogo ao de escravo previstas na legislação.

Um veículo como casa

O caminhão ficava estacionado em um terreno ao lado da casa do dono do negócio, e era ali que o trabalhador guardava seus pertences, sem armário, prateleira ou qualquer estrutura de armazenamento.

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Faltava ao veículo vedação que garantisse segurança mínima. Não existia energia elétrica, nem espaço para banho, uso do banheiro ou preparo e conservação de alimentos.

Trabalho invisível para o sistema

Enquanto vivia dessa forma, o trabalhador seguia auxiliando o transporte e a distribuição do pescado da empresa, sem contrato registrado e sem receber salário com regularidade.

Também não havia comprovação de exames médicos ocupacionais nem de treinamentos obrigatórios exigidos pela legislação trabalhista. Para os fiscais, o quadro ia além de falhas administrativas isoladas.

Da moradia improvisada, a equipe de fiscalização seguiu direto para o estabelecimento comercial, onde identificou os outros dois trabalhadores sem registro formal.

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Mais de R$ 54 mil em direitos

A fiscalização gerou efeito imediato sobre o vínculo empregatício: o registro do trabalhador no eSocial passou a valer desde a data real de admissão, com recolhimento retroativo de FGTS e contribuições previdenciárias.

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O total apurado em verbas trabalhistas para o resgatado ultrapassa R$ 54 mil. Cumpridos os requisitos legais, ele ainda tem direito ao seguro-desemprego criado especificamente para vítimas de trabalho escravo.

Autos de infração serão lavrados para cada irregularidade identificada, incluindo o auto específico para casos de submissão a condição análoga à de escravo. O empregador foi notificado a encerrar as práticas e a providenciar outro local de moradia para o trabalhador, já encaminhado à rede de proteção social.

Uma força-tarefa nacional

O caso no Rio integra a Operação Resgate VI, iniciativa federal que reúne diferentes órgãos de fiscalização para enfrentar trabalho escravo e tráfico de pessoas em todo o país.

Na etapa fluminense, a Auditoria-Fiscal do Trabalho coordenou o trabalho ao lado do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal — parceria que resultou no resgate, na formalização do vínculo e no encaminhamento social do trabalhador.

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