Perfis no TikTok promovem facções criminosas, exibem armas e veículos de luxo e anunciam carros clonados no Rio de Janeiro.
Perfis no TikTok têm sido usados para promover facções criminosas, exibir armas e ostentar bens associados ao crime organizado no Rio de Janeiro. As publicações incluem transmissões ao vivo com ameaças a grupos rivais, referências a traficantes e conteúdos que fazem apologia à violência.
No último sábado (31), o g1 acompanhou uma transmissão ao vivo feita por um usuário que se identificava como integrante do Terceiro Comando Puro (TCP). A live chegou a reunir quase 12 mil espectadores.
Durante a transmissão, o homem exibiu um fuzil, mencionou armamentos e afirmou que matava integrantes do Comando Vermelho (CV), facção rival. Ele também convocou outros integrantes do TCP para participar da disputa entre os grupos.
“Aqui é Terceiro Comando. Quem é do Terceiro vem com a gente! Cadê os menor (sic) do São Carlos? Nos vermelhos a gente atira”, repetia o usuário.
Perfis exaltam traficantes e facções criminosas
Em outra conta no TikTok, um jovem afirma ser do, na Região Metropolitana do Rio. O perfil reúne quase 3 mil seguidores e publica conteúdos que exaltam práticas criminosas e fazem referências ao Comando Vermelho.
Nas postagens, o usuário aparece exibindo carros e motos de luxo. Em um dos registros, ele veste uma camisa com a frase “Tropa do Rabicó”, em referência ao traficante Antônio Ilário Ferreira, conhecido como Rabicó.
Rabicó integra a cúpula do Comando Vermelho e é suspeito de comandar o comércio de drogas no Complexo do Salgueiro, segundo as informações da investigação.
Outra publicação mostra um homem dentro de um carro de luxo ao som de uma reportagem de televisão sobre um roubo de carga. O conteúdo utiliza a narração jornalística como trilha sonora para a exibição do veículo.
O TikTok informou que remove perfis e publicações que violam as Diretrizes da Comunidade. A empresa também afirmou que não permite conteúdos de apologia ao crime ou que incentivem outras práticas ilegais.
Áudios de assaltos aparecem em publicações
As postagens também incluem gravações de áudio que, segundo os próprios perfis, teriam sido feitas durante assaltos. Em alguns registros, as vozes descrevem abordagens a vítimas e a subtração de veículos e objetos.
Entre as frases divulgadas estão: “Desce, desce! Passa o cordão”; “Vamos pegar carro novo, zero bala. Carro velho deixa passar batido”; e “Ah, lá!! Assalto em frente ao posto, moleque novinho que vai levar. Levou, levou!”.
Os perfis acumulam milhares de seguidores e recebem comentários sobre os veículos exibidos, objetos de valor e referências às facções criminosas. Em uma das publicações, um usuário escreveu: “São Gonçalo, a terra do BYD”, em alusão à quantidade de carros da marca mostrados nas imagens.
Outros vídeos mostram homens consumindo drogas, portando fuzis e utilizando rádios transmissores. Há também registros de automóveis usados como barricadas e de locais que seriam utilizados para o desmonte de veículos.
Advogada explica quais crimes podem ser atribuídos aos usuários
A advogada criminalista Carolina Heringer explica que os responsáveis pelas publicações podem responder criminalmente, a depender do conteúdo divulgado e da conduta identificada.
“A depender do conteúdo de cada vídeo, quem pratica essa conduta de divulgar mídias, de alguma forma exaltando a organização ou quem a ela pertence, assim como estimulando algum tipo de crime, pode responder por delitos como apologia ao crime, incitação ao crime ou até mesmo por promover organização criminosa, ou também promover ou apoiar organização criminosa ultraviolenta”, explica.
Entre os possíveis enquadramentos estão os crimes de apologia ao crime e incitação ao crime, além de condutas relacionadas à promoção ou ao apoio de organizações criminosas. A responsabilização depende da análise de cada publicação e das circunstâncias do caso.
TikTok também é usado para anunciar carros clonados
Além da divulgação de conteúdos relacionados às facções, perfis no TikTok também funcionam como vitrines para a comercialização ilegal de veículos clonados no Rio de Janeiro.
A Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA) identificou pelo menos 21 contas relacionadas a esse tipo de comércio na plataforma.
Em um dos anúncios, um Toyota Corolla 2022 aparece à venda por R$ 8,5 mil. O valor está abaixo do preço de mercado, já que, segundo a Tabela Fipe, referência utilizada para avaliação de veículos, modelos do mesmo ano ultrapassam R$ 100 mil.
No início de outubro, um homem foi preso após comprar um carro avaliado em R$ 150 mil por R$ 10 mil. A negociação ocorreu por meio de um anúncio publicado no Facebook.
Perfil anuncia venda de cédulas falsas no X
A divulgação de atividades ilegais também foi identificada no X, antigo Twitter. Na noite de domingo (1º), um usuário publicou um vídeo em que aparece exibindo cédulas que afirma serem falsificadas e anuncia a venda do material.
Na descrição da postagem, o homem dizia que as notas eram entregues em todo o Brasil e alegava que o dinheiro falso passava por diferentes testes de verificação.
“As melhores cédulas da internet. Material entregue para todo o Brasil, cédulas passando em todos os testes”, dizia a publicação.
O perfil foi removido pela plataforma poucas horas depois da postagem.






