Professor universitário é preso por estupro de vulneráveis e gravação de abusos contra menores; polícia busca identificar mais vítimas.
Um professor universitário e advogado foi preso, nesta terça-feira (10), no Rio de Janeiro, investigado por estupro de vulnerável contra quatro menores e pelo registro e armazenamento de cenas dos abusos. A ação foi realizada por agentes da Divisão da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav), da Polícia Civil.
As apurações identificaram, até agora, duas vítimas, de 10 e 14 anos, moradoras de comunidades do Rio. Segundo a polícia, o investigado usava sua atuação no Núcleo de Prática Jurídica da universidade onde lecionava para se aproximar de famílias em situação de vulnerabilidade social e econômica.
O professor foi identificado como Cordovil Antônio Nogueira Martins. Ele passou a ser investigado após troca de informações entre a Polícia Civil e organismos internacionais, que apontaram a existência de arquivos de exploração sexual infantil vinculados a dispositivo associado ao investigado.
A Dcav apura pelo menos quatro episódios de violência sexual, mas só duas vítimas foram formalmente identificadas até o momento. Os investigadores trabalham com a hipótese de que haja mais vítimas, inclusive além das quatro inicialmente mapeadas na investigação.
De acordo com a polícia, o advogado utilizava o atendimento no Núcleo de Prática Jurídica para manter contato direto com famílias atendidas pelo serviço e, a partir dali, se aproximar das crianças e adolescentes. As vítimas seriam, em sua maioria, de contextos de maior fragilidade socioeconômica.
Ainda segundo a investigação, os abusos ocorriam na residência do professor. Ele levava as menores ao local sob o pretexto de oferecer lanche e, nesse ambiente, praticaria os crimes, que eram registrados em vídeo e armazenados em seus dispositivos eletrônicos, de acordo com a Polícia Civil.
Na delegacia, ao prestar depoimento, o investigado afirmou que as relações teriam sido consensuais e alegou que as menores teriam concordado com as gravações. Pela legislação brasileira, porém, qualquer ato sexual com menores de 14 anos configura estupro de vulnerável, independentemente de suposto consentimento.
Contra o professor foi cumprido mandado de prisão temporária. Durante diligências realizadas em sua residência, os agentes também encontraram substâncias entorpecentes, cuja origem e circunstâncias serão investigadas.







