Polícia Civil do RJ mira lixões clandestinos do Comando Vermelho em Jardim Gramacho; 2 são presos e 86 mandados são cumpridos em 12 cidades.
A Polícia Civil do RJ realiza nesta sexta (13) operação contra lixões clandestinos controlados pelo Comando Vermelho em Jardim Gramacho, em Duque de Caxias; 2 pessoas foram presas.
Segundo a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, traficantes cobram R$ 25 por caminhão para liberar o descarte em manguezais, áreas estratégicas para o equilíbrio da Baía de Guanabara.
Agentes cumprem 86 mandados de busca e apreensão em Duque de Caxias, capital, Magé, Belford Roxo, Mesquita, São João de Meriti, São Gonçalo, Paracambi, Seropédica, Resende, Paty do Alferes e São Lourenço (MG).
Em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, policiais apreenderam 2 araras-canindés e 1 papagaio em uma residência; o morador, sem licença ambiental, foi levado para prestar esclarecimentos.
Linha de investigação e áreas monitoradas
A DPMA identificou fluxo constante de caminhões despejando lixo comum em áreas não licenciadas de Jardim Gramacho, com abertura de acessos improvisados e derrubada de vegetação nativa.
Na região funciona o Centro de Tratamento de Resíduos de Duque de Caxias. Perto da Washington Luís, a prefeitura licenciou área de 40 mil metros quadrados para transbordo e triagem de recicláveis.
Após fiscalizações com apoio da perícia, a polícia constatou descarte de resíduos de toda natureza no local; há um ano, agentes já tinham realizado operação na mesma área.
Acesso controlado e cobrança por descarte
De acordo com a Polícia Civil, o acesso a uma das áreas de despejo passa por dezenas de barricadas, o que indicaria ao menos anuência do tráfico para a circulação dos caminhões.
As diligências apontaram cobrança de R$ 25 por descarte autorizado, valor pago pelos caminhoneiros à estrutura montada pelo Comando Vermelho em Jardim Gramacho.
Histórico do aterro e lógica financeira do crime
Jardim Gramacho abrigou o antigo Aterro Metropolitano, que recebeu cerca de 6 mil toneladas de lixo por dia e acumulou mais de 60 milhões de toneladas até ser desativado, em 2012.
Com o fechamento do aterro, a maior parte do lixo do Grande Rio passou a seguir para o CTR de Seropédica, percurso de cerca de 140 km ida e volta a partir da capital fluminense.
Segundo a DPMA, o caminhoneiro que despejasse o lixo nos pontos ilegais de Caxias economizaria cerca de R$ 300 em combustível por viagem em relação ao trajeto até Seropédica.
Além disso, o custo da destinação final no CTR Seropédica é de R$ 109 por tonelada; um caminhão com 6 toneladas geraria despesa perto de R$ 650, contra a taxa de R$ 25 cobrada pelo grupo.
A Polícia Civil afirma que a supressão de vegetação em uma das áreas investigadas já alcança trecho próximo às margens do Rio Sarapuí, que deságua na Baía de Guanabara.







