Três PMs investigados por integrar esquema de Rogério Andrade são presos de novo no Rio por descumprir prisão domiciliar.
Três policiais militares investigados por integrarem o esquema de segurança do contraventor Rogério de Andrade foram presos nesta terça-feira (28). A nova prisão ocorreu após descumprimento das regras da prisão domiciliar.
Os mandados de prisão preventiva foram cumpridos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio (MPRJ).
A ação contou com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) e da Corregedoria da Polícia Militar. Os órgãos atuaram em conjunto no cumprimento dos mandados.
Foram presos Carlos Fernando Dias Chaves, Carlos Magno Mariano de Souza e Waldeci Barbosa Nunes. Os três são réus na Operação Petrorianos, deflagrada em 2024.
A operação investiga uma organização criminosa ligada ao bicheiro Rogério de Andrade. Segundo o Ministério Público, os policiais foram beneficiados com prisão cautelar em casa.
Apesar do benefício, os três descumpriram diversas vezes as medidas determinadas pela Justiça. As violações incluíram saídas não autorizadas em horários de recolhimento obrigatório, à noite e nos fins de semana.
No caso de Carlos Fernando Dias Chaves, os promotores apontam problemas recorrentes com a tornozeleira eletrônica. O equipamento ficou sem carga em pelo menos 9 dias diferentes.
Em uma das ocasiões, o aparelho permaneceu desligado por mais de três dias. A situação comprometeu o monitoramento do investigado pelas equipes responsáveis.
Para o Ministério Público, as condutas demonstram desrespeito às medidas cautelares. Os promotores apontam risco à ordem pública e à aplicação da lei penal nos casos.
Operação mira esquema de proteção ao contraventor
A Operação Petrorianos foi deflagrada em março de 2024. O alvo era um grupo acusado de atuar na segurança particular de Rogério de Andrade, apontado como um dos principais nomes da contravenção no Rio.
Na 1ª fase da operação, foram cumpridos 20 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão. Entre os investigados estavam 18 policiais militares da ativa e um policial penal.
No começo do ano, durante a 2ª fase, o MPRJ cumpriu 3 mandados de prisão. Um deles foi contra Rogério Andrade, e outros dois miraram os policiais militares aposentados Carlos André Carneiro de Souza e Marcos Antônio de Oliveira Machado.
Ao todo, o Ministério Público denunciou 31 pessoas por organização criminosa. As investigações apontam que o grupo integrava uma estrutura de proteção ligada ao contraventor.
Chefe da contravenção segue em presídio federal
Rogério Andrade, patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, está desde novembro de 2024 no Presídio Federal de Campo Grande (MS). Ele é acusado de mandar matar Fernando Iggnácio.
Iggnácio, genro e herdeiro do contraventor Castor de Andrade, foi executado em 10 de novembro de 2020, em emboscada no Recreio dos Bandeirantes. Ele havia acabado de desembarcar de helicóptero, vindo de Angra dos Reis.
A vítima foi alvejada ao caminhar até o carro. Os tiros partiram de fuzil calibre 556, segundo as investigações sobre o crime.
Rogério é sobrinho de Castor de Andrade, um dos nomes mais conhecidos da contravenção carioca. Ele não herdou de imediato o espólio da contravenção com a morte do tio, em 1997.
O comando do negócio coube a Paulo Roberto de Andrade, o Paulinho, filho de Castor, e a Fernando Iggnácio, genro do chefão. Na divisão, Iggnácio cuidou dos caça-níqueis, e Paulinho assumiu as bancas do bicho.
Rogério considerava ter direito à herança e passou a disputar território com os dois. Paulinho foi assassinado em 1998, crime atribuído a Rogério, que assumiu o negócio do primo.
Após a morte de Paulinho, Rogério avançou sobre o território de Fernando Iggnácio. A disputa terminou com a execução do genro de Castor de Andrade, em 2020.







