Forças de segurança do RJ deflagram Operação Colmeia contra tráfico do Comando Vermelho na Lapa; 11 presos e 28 mandados de prisão preventiva.
As forças de segurança do Rio iniciaram nesta terça-feira (17) a Operação Colmeia, contra o tráfico de drogas na Lapa, área boêmia do Centro. Até a última atualização, 11 pessoas haviam sido presas.
Policiais civis e militares cumprem 28 mandados de prisão preventiva contra integrantes do Comando Vermelho que comandam a venda de entorpecentes na região. Três dos alvos já estavam presos.
Entre os procurados está Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, apontado como um dos chefes da facção e foragido por outros crimes. Ele é considerado o líder do tráfico que atua na Lapa.
A ação é coordenada pela Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC‑Polinter) e conta com equipes da Core e do Bope, tropas de elite das polícias Civil e Militar. As buscas seguem em vários pontos.
Os alvos da operação desta terça foram denunciados pelo Gaeco, do Ministério Público do Rio. Todos responderão por envolvimento na estrutura de tráfico ligada ao Comando Vermelho.
A Operação Colmeia integra a Operação Contenção, programa do governo estadual que pretende frear a expansão territorial da facção em áreas turísticas e de grande circulação.
Base do esquema no Fallet/Fogueteiro
As investigações começaram em outubro de 2024 na 5ª DP (Mem de Sá). Em novembro, a unidade indiciou 25 suspeitos e pediu a prisão. O Gaeco depois denunciou 30 pessoas, todas tornadas rés.
A delegacia apurou que a venda de drogas na Lapa parte da comunidade Fallet/Fogueteiro e é chefiada por Abelha. Anderson Venâncio Nobre de Souza, o Piu ou Português, é apontado como gerente operacional.
Durante as diligências, equipes chegaram à casa de Piu no alto do morro. O imóvel está em obras e tem academia, cozinha integrada à sala e um terraço com piscina, churrasqueira e vista para a comunidade.
Policiais ainda fazem buscas na Lapa, no Fallet/Fogueteiro e no Morro dos Prazeres para localizar alvos que seguem foragidos e apreender materiais ligados ao tráfico.
Como funcionava o tráfico na Lapa
Segundo a 5ª DP, Abelha e Piu são donos dos pontos de venda de drogas na Lapa. O principal fica a cerca de 200 metros dos Arcos, entre a Travessa Mosqueira e a Rua Joaquim Silva.
Os investigadores identificaram que traficantes invadiam casarões abandonados para instalar “bocas de fumo”. Em alguns momentos, as vendas eram anunciadas na rua, em esquema descrito como “feirão”.
As drogas são embaladas no Fallet/Fogueteiro e distribuídas à Lapa por táxis, mototáxis e “mulas”, quase sempre mulheres, responsáveis por levar pequenas cargas até os pontos de venda.
De acordo com o delegado Uriel Alcântara, são comercializadas maconha, cocaína, haxixe, crack e diferentes drogas sintéticas nesses locais. Os pontos ficam próximos a áreas de grande fluxo de turistas.
Na Rua Joaquim Silva está a Escadaria Selarón, um dos principais cartões‑postais da região. Em frente ao local, há um painel com a imagem de Pablo Carlos Rodrigues Rabello, o PB, filho de Abelha morto em 2019.
Desde o ano passado, o grupo vem alternando a localização das bocas de fumo após sucessivas prisões, em tentativa de dificultar o mapeamento das rotas pela polícia.
Abelha e Piu são citados em diálogos como “Tropa do Mel” e “Tropa do Português”. Nas redes sociais, emojis de abelha, pote de mel e bandeira de Portugal são usados como códigos e também aparecem em muros.
A Polícia Civil informou que 22 dos 28 procurados não tinham antecedentes criminais. Parte deles atuaria como “gerente de carga”, função responsável pela logística de armazenamento e transporte das drogas.







