Publicidade

Operação mira PMs suspeitos de fornecer informações ao Comando Vermelho no RJ

Operação mira PMs suspeitos de fornecer informações ao Comando Vermelho no RJ

Polícia Civil cumpre sete mandados contra suspeitos de negociar armas e drogas e repassar informações ao Comando Vermelho, incluindo policiais militares.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro realiza, nesta terça-feira (13), uma operação para desarticular um esquema de tráfico de drogas e armas que, segundo as investigações, teria a participação de policiais militares ligados ao Comando Vermelho (CV). Os agentes são suspeitos de compartilhar informações sigilosas sobre ações policiais e negociar armamentos e munições para a facção.

CONTINUE LENDO APÓS A PUBLICIDADE

Coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), a operação conta com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e com a Corregedoria da Polícia Militar.

São cumpridos sete mandados de prisão expedidos pela 16ª Vara Criminal da Capital, inclusive contra PMs da ativa. As diligências ocorrem em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, Niterói, na Região Metropolitana, e Maricá, na Região dos Lagos.

Até a última atualização, dois homens haviam sido presos. Entre eles está Leonardo Aguiar, conhecido como “da Nike”, apontado como integrante do braço armado do Comando Vermelho.

Apreensão de cocaína levou investigadores a uma rede criminosa

O caso começou em outubro de 2023, quando o então policial militar Yuri Luiz Desiderati Ribeiro e Marcos Leandro de Oliveira Serra, conhecido como Kiko, foram presos em flagrante com mais de 100 quilos de cocaína na Avenida Brasil.

CONTINUE LENDO APÓS A PUBLICIDADE

A apreensão levou os investigadores a apurar a possível participação dos dois em uma organização responsável por comprar, transportar e distribuir grandes quantidades de drogas e armamentos para o Comando Vermelho.

Segundo a DRE, o grupo tinha funções definidas e atuava de forma coordenada para abastecer comunidades dominadas pela facção. Kiko é apontado como um dos responsáveis pela logística do tráfico e, conforme a investigação, mantinha contato direto com lideranças criminosas para organizar o transporte e a entrega de entorpecentes.

Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça e análises de dados telemáticos também identificaram conversas entre Kiko e Manoel Cinquine Pereira, conhecido como Paulista. Ele é apontado pela polícia como uma das lideranças do Comando Vermelho no Complexo da Penha.

De acordo com os investigadores, Paulista participava da articulação para a compra e distribuição de drogas e armas e coordenava integrantes envolvidos no abastecimento da organização.

CONTINUE LENDO APÓS A PUBLICIDADE

Investigação aponta repasse de dados policiais a integrantes do CV

Outra frente da apuração identificou suspeitas de que policiais militares usavam informações obtidas no exercício da função para beneficiar integrantes do Comando Vermelho.

Entre os denunciados está o PM Eric da Silva Lobato, apontado como participante de um esquema de comércio ilegal de armas de fogo, munições e acessórios. Até a última atualização da reportagem, ele não havia sido localizado.

Também é investigado Luciano Santos de Oliveira, conhecido como Hot Wheels, identificado pela polícia como uma liderança do tráfico em comunidades de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

Segundo a investigação, Hot Wheels recebia informações privilegiadas sobre operações policiais repassadas pelo PM Yuri Desiderati. Os investigadores suspeitam que o militar usava sua posição na corporação para favorecer as atividades da organização criminosa.

A DRE afirma que os três eram responsáveis pela segurança de lideranças do tráfico e pela vigilância de áreas controladas pela facção. Conforme a polícia, eles utilizavam armas de fogo para contribuir com a manutenção do domínio criminoso nesses territórios.

Morte de policial investigado não encerrou apuração

Yuri Desiderati foi assassinado em 12 de julho deste ano, no Pechincha, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio. Ele foi atingido por diversos disparos quando chegava ao condomínio onde morava.

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso. Uma das hipóteses apuradas é a de que o policial tenha sido executado pelo Comando Vermelho.

O militar havia sido preso em flagrante em 2023, junto com Kiko, durante a apreensão de mais de 100 quilos de cocaína que deu origem à investigação atual.

Após a morte de Yuri, a DRE manteve as apurações e identificou outros suspeitos de integrar a rede de distribuição de drogas e armas.

Segundo a Polícia Civil, a operação busca atingir tanto os responsáveis pelo transporte e pela comercialização dos materiais ilícitos quanto a estrutura de apoio ao abastecimento do Comando Vermelho, incluindo a possível participação de agentes públicos.

Publicidade
Publicidade

+ Notícias

Publicidade
Publicidade