A Operação Fora de Ordem visa desarticular a milícia de Juninho Varão, investigada por movimentações financeiras de R$ 350 milhões.
A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram nesta quinta-feira (20) a Operação Fora de Ordem, com o intuito de combater a milícia liderada por Juninho Varão, que atua na Baixada Fluminense. Essa organização é conhecida por impor um monopólio sobre serviços de internet e comercialização de botijões de gás através da violência.
De acordo com as investigações, foram identificadas movimentações financeiras atípicas que superam os R$ 350 milhões, conforme relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A operação conta com a execução de 23 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), em locais como a capital e Nova Iguaçu.
Além das buscas, a Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros e a indisponibilidade de bens. Um dos locais investigados é um condomínio de luxo situado no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. A PF afirma que o objetivo principal da operação é desarticular uma organização criminosa armada que exerce influência territorial e econômica na região.
Juninho Varão e sua organização criminosa
Juninho Varão, cujo nome verdadeiro é Gilson Ingrácio de Souza Junior, é considerado o líder do grupo conhecido como Bonde do Varão, cuja atuação predominante se concentra em Nova Iguaçu e áreas vizinhas, como Queimados. Varão é investigado por crimes relacionados à constituição de milícias privadas, extorsão e lavagem de dinheiro.
A trajetória criminosa de Varão inclui a associação ao grupo liderado por Ecko (Wellington da Silva Braga), um dos mais notórios chefes paramilitares do estado do Rio de Janeiro. Com a morte de Ecko em 2021, Juninho Varão conseguiu expandir sua influência, conquistando áreas antes controladas por outras lideranças.
As investigações revelam que sua milícia opera mediante a intimidação e violência, cobrando taxas indevidas de residentes e comerciantes e controlando serviços essenciais. Um levantamento realizado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ mostrou que o Bonde do Varão movimentou cerca de R$ 10 milhões entre 2022 e 2023.
Consequências e investigações em andamento
Juninho Varão é considerado foragido e enfrenta diversos mandados de prisão emitidos pela Justiça. As operações realizadas recentemente visam não apenas a prisão de Varão, mas também a desarticulação de sua estrutura financeira e operacional, ligada diretamente a seus principais colaboradores.
As análises dos dados financeiros e as investigações continuam em andamento, com o objetivo de identificar outros possíveis integrantes da organização criminosa e desmantelar suas atividades no estado. Na Baixada Fluminense, o trabalho das autoridades se intensifica para cortar as raízes da criminalidade e fazer frente ao poder paralelo instaurado por essas milícias.







