Polícia Civil e MPRJ investigam suspeitas de fraude em contratos da Educação do RJ. Prejuízo pode chegar a R$ 1,6 bilhão.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram nesta quinta-feira (1º) a Operação Escola de Papel para investigar suspeitas de fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Educação (Seeduc-RJ).
Segundo os investigadores, o esquema teria ocorrido durante a gestão da ex-secretária Roberta Barreto de Oliveira. O prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 1,6 bilhão, conforme a apuração.
Ao todo, 19 mandados de busca e apreensão foram cumpridos por agentes da Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (Ciaf) e promotores do MPRJ. Não há mandados de prisão na operação.
Além de Roberta Barreto, são investigados Yurie Lopes Fonseca Ormonde André, genro da ex-secretária; David de Andrade Marinho Filho, ex-subsecretário de Gestão Administrativa da Seeduc; e Fabio Martins Pereira.
Segundo os investigadores, Fabio Martins Pereira seria o operador financeiro do esquema. Até a última atualização desta reportagem, as defesas dos citados não haviam se manifestado sobre as acusações.
Empresas sob investigação
A investigação aponta que licitações da Seeduc teriam sido direcionadas para a MCK Reformas e Construções Ltda. A empresa recebeu cerca de R$ 6 milhões em contratos, dos quais aproximadamente R$ 4 milhões teriam sido repassados a Fabio Martins.
Fabio é proprietário da Virtual Construtora Ltda. A apuração também identificou movimentações em dinheiro vivo que, segundo os investigadores, podem ter relação com o esquema investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.
Em 16 de janeiro deste ano, Marcos José Mendes Ferreira, proprietário da MCK Reformas, foi flagrado sacando R$ 500 mil em espécie em uma agência bancária de Duque de Caxias.
O dinheiro teria sido transportado em um veículo registrado em nome de Yan Lopes Fonseca Ormonde André, irmão de Yurie. Um policial militar que fazia a escolta dos valores também mantinha sociedade empresarial com o pai dos irmãos.
De acordo com a investigação, a MCK Reformas recebeu mais de R$ 11 milhões em recursos públicos apenas em 2025. Parte dos valores teria sido retirada em espécie, segundo os investigadores.
A empresa, conforme a apuração, funcionava em um endereço residencial, não tinha empregados registrados e não apresentava histórico compatível com a realização de grandes obras.
Mesmo com essas características, a MCK foi contratada para executar reformas em escolas da rede estadual. O caso envolve suspeitas de direcionamento de contratos, desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Denúncias sobre obras em escolas
A investigação teve novos elementos após denúncias sobre contratos e reformas em unidades da rede estadual. Em fevereiro, o RJ2 mostrou o aumento dos gastos realizados pelo sistema descentralizado de pagamento da Seeduc.
Segundo levantamento citado nas denúncias, mais de R$ 1 bilhão foi movimentado pelo sistema em dois anos. Foram R$ 630,2 milhões em 2024 e R$ 513,3 milhões em 2025.
As reportagens também apontaram possíveis vínculos entre empresas que disputavam contratos para obras em escolas estaduais. Entre os indícios estavam funcionários compartilhados, mesma contabilidade e consultorias em comum.
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) abriu uma investigação para apurar possíveis irregularidades nas contratações e no uso do sistema descentralizado para financiar reformas na rede estadual de ensino.







