Ministério Público denunciou 28 policiais militares por crimes registrados em câmeras corporais durante a Megaoperação Contenção, que deixou 122 mortos.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou 28 policiais militares por crimes supostamente cometidos durante a Megaoperação Contenção, realizada há um ano. A ação, que completa um ano nesta quarta-feira (28), terminou com 122 mortos após dois dias de confrontos.
As 12 denúncias se baseiam, entre outros elementos, em imagens das câmeras corporais dos próprios agentes. Os registros mostram suspeitas de roubos de um fuzil, peças de automóvel, um celular e até um picolé retirado da casa de um morador. Os procedimentos também incluem acusações de invasão de residências e de tentativas de impedir a gravação das ações policiais.
Mais de 4 mil horas de gravações passam por análise
O promotor Fábio Corrêa, coordenador do Grupo de Atuação Integrada em Segurança Pública (GAESP) do MPRJ, informou que mais de 4 mil horas de imagens das câmeras corporais estão sob análise.
Entre as acusações apresentadas está a de recusa de obediência, prevista no Código Penal Militar. Segundo o promotor, há casos em que policiais teriam obstruído deliberadamente o funcionamento das câmeras para evitar o registro das ocorrências.
Corrêa também citou denúncias de violação de domicílio e de retirada de objetos que deveriam ter sido apreendidos e encaminhados às autoridades. Entre os episódios investigados estão o desaparecimento de um fuzil, a subtração de peças de um veículo na comunidade e a retirada de um picolé de uma residência.
Um relatório elaborado pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro em conjunto com o projeto Mirante, da Universidade Federal Fluminense (UFF), apontou indícios de tortura, ameaças de morte e agressões contra suspeitos de crimes e moradores.
Imagens mostram situações sob investigação
Durante a análise das gravações, o MPRJ identificou dois episódios que, segundo Corrêa, chamaram a atenção dos investigadores: um envolvendo um corpo decapitado e outro em que um cadáver apresentava marcas de tiros disparados a curta distância.
O promotor ressaltou que as imagens, isoladamente, não permitem conclusões definitivas. Os registros serão comparados com os demais elementos reunidos na investigação antes de qualquer conclusão sobre as circunstâncias dos casos.
Procurada para comentar as denúncias contra os policiais, a Polícia Militar não havia respondido até a publicação da reportagem.
Sargento teria escondido câmera por cinco horas
Entre os casos denunciados está o do sargento Fábio Vicente de Souza, que, segundo a polícia, trabalhou como segurança do ex-deputado estadual TH Joias.
Imagens analisadas mostram o agente tentando retirar a bateria da câmera corporal e direcionando o equipamento para mesas, barris, muros e veículos, em vez de registrar as ações policiais.
De acordo com a investigação, o sargento manteve a câmera guardada dentro da viatura por cerca de cinco horas seguidas, impedindo a gravação das atividades durante esse período.
Ele também teria entrado armado em uma residência na Vila Cruzeiro e permanecido no imóvel contra a vontade de um morador. Um laudo técnico de análise de vídeo confirmou que a entrada na casa ocorreu pouco antes de uma sequência de nove desligamentos da câmera operacional do policial.







