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Laudo do IML revela 63 pauladas em morte de ciclista no Rio

Perícia do Instituto Médico-Legal detalha 63 golpes que mataram Cláudio Rafael Moreira, espancado em Copacabana após ser confundido com ladrão de bicicleta.

Um laudo de necropsia do Instituto Médico-Legal (IML) detalhou a gravidade das lesões sofridas por Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, morto após ser espancado por quatro homens em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, na noite de 11 de agosto de 2026.

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Segundo o documento, a causa da morte foi hemorragia interna, traumatismo cranioencefálico e lesões no baço e no rim esquerdo, provocadas por ação contundente. O laudo cita como exemplos de possíveis instrumentos barra de ferro, cabo de vassoura ou porrete — arma efetivamente utilizada no crime.

De acordo com a apuração, Cláudio Rafael foi agredido por cerca de nove minutos depois que o segurança Davi Santos Machado e outros três homens desconfiaram que ele havia furtado uma bicicleta. O veículo, no entanto, pertencia à irmã da vítima.

Quatro dos envolvidos já foram presos, e a Polícia Civil investiga a participação de um quinto homem. Os quatro detidos foram indiciados por homicídio triplamente qualificado, por meio cruel, motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima.

Fraturas no crânio e hemorragias cerebrais

O exame interno realizado durante a necropsia revelou ferimentos graves na cabeça, múltiplas fraturas no crânio e hemorragias internas. Segundo o laudo, havia extenso acúmulo de sangue entre o couro cabeludo e o crânio, principalmente no lado direito da cabeça, lesão tecnicamente chamada de hematoma subgaleal.

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Os peritos também identificaram uma fratura cominutiva — quando o osso se quebra em vários fragmentos —, atingindo as regiões laterais e superiores do crânio e a nuca. O documento aponta ainda hemorragias subdural e subaracnoide, além de presença de sangue nos ventrículos cerebrais, cavidades localizadas no interior do cérebro.

A vítima apresentava edema cerebral, ou seja, inchaço do cérebro, e uma contusão na região frontal e lateral esquerda da cabeça. O laudo descreve também marcas e hematomas espalhados pelo corpo, incluindo costas, braços, antebraços, axila, pescoço, rosto e o lado direito do tronco. Segundo os peritos, lesões lineares encontradas eram compatíveis com golpes de objeto contundente.

Lesões no baço e no rim esquerdo

A necropsia revelou ainda ferimentos graves no abdômen, com sangue acumulado na cavidade abdominal, condição chamada de hemoperitônio. O baço apresentava duas lacerações, cada uma com aproximadamente 2 centímetros de comprimento, além de uma lesão na região do órgão por onde passam importantes vasos sanguíneos.

Os peritos constataram também uma hemorragia na cápsula que envolve o rim esquerdo. De acordo com o laudo, essas lesões internas provocaram sangramentos que contribuíram para a morte de Cláudio Rafael.

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O exame foi realizado pelo IML Afrânio Peixoto entre os dias 14 e 16 de agosto de 2026, e o laudo foi encerrado em 16 de agosto de 2026.

63 pauladas em quatro momentos

A análise das imagens do espancamento permitiu dividir a sequência de agressões em quatro etapas, com um total de 63 pauladas contra Cláudio Rafael.

Na primeira etapa, registrada na região da Rua Barata Ribeiro com a Rua Belfort Roxo, foram identificados seis golpes na direção da vítima. Em seguida, teve início uma sequência de 19 golpes, seguida por uma terceira etapa com mais 14 golpes consecutivos.

Por fim, quando Cláudio Rafael já estava muito ferido, ocorreu uma quarta sequência, com 24 golpes.

Relembre o caso

Cláudio Rafael saiu de casa para passear de bicicleta na noite de 11 de agosto. Segundo a família, ele tinha transtornos mentais e falava pouco.

Na Rua Barata Ribeiro, ele foi abordado pelo segurança de rua Davi Santos Machado, que perguntou se a bicicleta era dele. Cláudio Rafael respondeu que não — o veículo, de fato, era da irmã.

Segundo a investigação, Davi passou a suspeitar que Cláudio Rafael tivesse furtado a bicicleta e chamou dois entregadores de aplicativo que passavam pelo local. Imagens mostram que o outro segurança, Jorge Luiz Ricardo Dias, retirou a bicicleta à força. A vítima tentou recuperar o objeto, foi agredida e correu.

Cláudio Rafael se sentou em frente a um prédio, na Rua Felipe Oliveira, onde voltou a ser cercado pelos homens. Os dois entregadores se juntaram a Davi e começaram a agredi-lo. As agressões duraram quase nove minutos e foram registradas em vídeo pelos próprios envolvidos. A vítima não reagiu.

Depois, ele ficou agonizando por cerca de meia hora na calçada. Bombeiros foram chamados e levaram Cláudio Rafael para o hospital, mas ele não resistiu.

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