No Complexo do Alemão, ruas estão sendo cobertas para dificultar o monitoramento de drones, revela levantamento da Polícia Civil.
Imagens aéreas divulgadas mostram que ruas e vielas no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, estão sendo cobertas por estruturas para dificultar o monitoramento realizado por drones. O levantamento é da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil, que comparou imagens de satélite de novembro de 2025 com registros aéreos de fevereiro de 2026.
Em apenas 84 dias, a alteração na paisagem é evidente. Ruas que apareciam nas imagens foram ocultadas por telhados e construções. Um exemplo é uma área que antes servia como estacionamento, agora coberta por alvenaria, enquanto outra laje que anteriormente era uma superfície plana passou a conter uma piscina.
Motivação das alterações
A região central do Complexo do Alemão foi identificada pela polícia como de acesso difícil, tanto por terra quanto pelo ar, e é considerada um ponto onde estaria escondida a cúpula do Comando Vermelho. De acordo com investigadores, a instalação dos telhados tem o objetivo de prevenir ataques com explosivos lançados por drones de facções rivais, além de dificultar o trabalho de monitoramento das operações policiais.
Marcos Motta, coordenador da Core, destacou que “o emprego principal desses telhados seja evitar o lançamento de artefatos explosivos”. Ele acrescentou que essa situação traz um impacto significativo para as investigações policiais.
Uso crescente de drones pelo crime organizado
A Polícia Civil também revela que o crime organizado tem utilizado drones não apenas para monitorar suas áreas de atuação, mas também para atacar grupos rivais. Atualmente, a corporação investiga 18 ocorrências de lançamentos de bombas por drones, um número que pode ser ainda maior, segundo as estimativas.
O aumento no uso de drones por criminosos foi identificado em um relatório do Disque-Denúncia, que mostra um crescimento nas denúncias relacionadas a equipamentos utilizados para este fim. O primeiro relato de um drone equipado com granadas ocorreu em 2023, e os números aumentaram exponencialmente nos anos seguintes.
Estratégias de combate ao monitoramento
Para combater a vigilância policial, criminosos têm recorrido a equipamentos que interferem na comunicação e navegação dos drones. Imagens exibidas recentemente mostram um indivíduo utilizando uma “bazuca antidrone”, cuja função é derrubar drones ao interromper sua operação, embora alguns sistemas de segurança garantam que eles retornem automaticamente.
Recentemente, a pela polícia, Hyrval Cassiano da Silva, conhecido como Bochecha Rosa, foi identificado como um dos operadores de tal equipamento. Essa situação levou a Polícia Civil a criar a Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas, que busca investigar e reprimir o uso de drones no crimes organizados, que vão desde ataques até o transporte de drogas para dentro de presídios.







