Campos reforça combate a arboviroses após alerta do Ministério da Saúde sobre El Niño. Veja ações de vigilância e vacinação.
As mudanças climáticas provocadas pelo El Nino podem favorecer o aumento da circulação de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, em regiões do Brasil. O Ministério da Saúde emitiu alerta aos estados na quarta-feira (22).
Segundo projeções do InfoDengue/Fiocruz, o país pode registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027. Em Campos, a Secretaria Municipal de Saúde reforça o monitoramento e orienta a eliminação de criadouros do mosquito.
O subsecretário de Vigilância em Saúde, Rodrigo Carneiro, afirma que as alterações climáticas influenciam o comportamento das doenças transmitidas por vetores e alteram a sazonalidade dessas enfermidades.
“As zoonoses e as arboviroses sofrem forte influência das condições ambientais. Quando ocorrem eventos climáticos fora do padrão esperado para determinada época do ano, aumenta o risco do aparecimento de doenças que normalmente não seriam registradas naquele período. O El Nino pode modificar significativamente os índices de pluviosidade, além de causar temperaturas acima da média e ondas de calor frequentes, criando condições favoráveis para a proliferação do Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e Chikungunya”, explicou.
Rodrigo destaca que Campos recebeu o alerta do Ministério da Saúde, mas afirma que o município não enfrenta surto de dengue neste momento.
“Campos viveu uma grande epidemia em 2024 e, por ter sido um evento recente, parte significativa da população desenvolveu proteção contra a doença. Além disso, o município realiza a vacinação contra a dengue dos adolescentes de 10 a 14 anos. Esse conjunto de fatores representa uma importante barreira de proteção para a população”, afirmou.
O último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) não apontou risco elevado para epidemia no município. Diante das condições climáticas previstas, a vigilância segue intensificada.
“Apesar do cenário favorável, o alerta do Ministério da Saúde exige atenção. Pode haver aumento do número de casos e, por isso, seguimos monitorando a situação de forma permanente. Reforçamos que os adolescentes que ainda não receberam a vacina devem procurar nossos postos de vacinação para se imunizar. A vacina atualmente disponível na rede pública para essa faixa etária é a Qdenga, que é segura, eficaz e segue sendo aplicada normalmente em todo o país. É importante esclarecer que a suspensão anunciada pelo Ministério da Saúde refere-se à vacina do Instituto Butantan, que não tem relação com a Qdenga, que continua sendo recomendada para os adolescentes contemplados pela campanha”, ressaltou.
O coordenador do Programa Municipal de Controle de Vetores (PMCV), Claudemir Barcelos, afirma que o combate ao mosquito depende das ações do poder público e da participação da população.
“A eliminação dos criadouros continua sendo a principal forma de prevenção. É fundamental manter caixas d’água bem vedadas, limpar calhas, fechar ralos, evitar o acúmulo de água em recipientes e descartar corretamente materiais inservíveis. Também é muito importante que os moradores permitam a entrada dos Agentes de Combate às Endemias em suas residências para realização das inspeções e orientações.”
Claudemir explica que o município utiliza tecnologias e estratégias de monitoramento para direcionar as ações de combate ao mosquito.
“O CCZ atua de acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde utilizando ovitrampas para monitorar a população do mosquito e identificar as áreas prioritárias para intervenção. Esses dados são associados aos resultados do LIRAa, permitindo concentrar as ações nos bairros com maior necessidade. À medida que os índices diminuem em uma região, as equipes avançam para outras localidades, reduzindo o risco de proliferação do Aedes aegypti em todo o município”, concluiu.
Desde o início da vacinação contra a dengue no município, em junho de 2025, Campos aplicou 12.662 doses do imunizante. Desse total, 2.799 correspondem à segunda dose, etapa que completa o esquema vacinal.
A Secretaria Municipal de Saúde reforça que os adolescentes de 10 a 14 anos que ainda não iniciaram ou não concluíram a vacinação devem procurar uma unidade de saúde para receber o imunizante.







