Escassez de imóveis, turismo e juros altos elevam preços de aluguel no Rio; Leblon lidera ranking com R$ 129,10 o metro quadrado.
Quem procura um imóvel para alugar no Rio de Janeiro enfrenta um mercado com menos ofertas, preços mais altos e maior concorrência. Dados do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio) mostram que a oferta de imóveis para locação tradicional caiu 31,8% entre 2023 e 2026.
A redução da oferta, o crescimento das locações por temporada e os juros elevados, que dificultam o financiamento da casa própria, impulsionam os preços dos aluguéis em diversas regiões da cidade. O cenário afeta tanto bairros da Zona Sul quanto da Zona Norte e Zona Oeste.
O produtor cultural Gustavo Canella relata que, nos últimos seis anos, precisou mudar de bairro para manter o aluguel dentro do orçamento. Após morar na Zona Sul e no Centro, hoje vive em Vila Isabel e procura um apartamento na Tijuca, mas encontra poucas opções.
“É desesperador procurar casa. Você não acha imóvel para longa temporada, só para fim de semana, mobiliado e com um valor lá em cima”, afirma Canella. Segundo ele, muitos imóveis anunciados destinam-se apenas à locação de curta duração.
Para o vice-presidente do Secovi Rio, Leonardo Schneider, a redução da oferta explica parte da valorização dos aluguéis. Com menos imóveis disponíveis, cresce a disputa pelos contratos, enquanto os reajustes dos contratos em vigor seguem os índices previstos.
Crescimento do turismo reduz oferta para contratos longos
O recorde de visitantes registrado pelo Rio em 2025 também influenciou o mercado imobiliário. Segundo a Prefeitura, a cidade recebeu 10,5 milhões de turistas brasileiros e 2,1 milhões de visitantes estrangeiros no período.
Para o presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Leonardo Mesquita, o aumento do turismo e a retomada do movimento no Aeroporto Internacional do Galeão incentivaram proprietários a migrar imóveis para plataformas de aluguel por temporada.
Segundo Mesquita, a transferência de imóveis para esse modelo reduz a oferta destinada à locação tradicional. Com menos unidades disponíveis, os preços dos contratos de longo prazo tendem a subir, sobretudo nas áreas de maior interesse turístico.
Leblon mantém liderança entre os bairros mais caros
Levantamento do Data Secovi aponta o Leblon como o bairro com o metro quadrado de aluguel mais caro da cidade, com média de R$ 129,10. Na sequência aparecem Ipanema, com R$ 124,97, e Lagoa, com R$ 89,64.
Entre os dez bairros com os maiores valores de aluguel, oito ficam na Zona Sul. Barra da Tijuca e Centro completam a lista. Corretores também observam valorização em bairros como Tijuca, Méier, Vila Isabel, Taquara e Santa Cruz.
Quando o critério é a alta percentual dos aluguéis nos últimos 12 meses, o Centro lidera com valorização de 34,9%. Em seguida aparecem Jardim Botânico, Lagoa, Botafogo e Vila Isabel, todos com crescimento acima da média do mercado.
Juros elevados mantêm famílias no mercado de locação
Especialistas afirmam que a taxa básica de juros influencia diretamente o mercado imobiliário. Com financiamentos mais caros, muitas famílias adiam a compra da casa própria e permanecem no mercado de aluguel.
Segundo o presidente do Creci-RJ, Wilson Martins, o impacto da Selic alcança diferentes regiões da cidade. Para ele, quem não consegue financiar um imóvel continua buscando contratos de locação, o que aumenta a demanda e contribui para a valorização dos preços.
Enquanto os aluguéis registram crescimento expressivo, os preços de venda dos imóveis avançam em ritmo menor. Nos últimos 12 meses, apenas Centro, Laranjeiras, Copacabana, Flamengo e Leblon tiveram valorização superior à inflação medida pelo IPCA.
Locação avança em ritmo superior ao mercado de venda
Levantamento do índice FipeZAP mostra que, nos últimos três anos, os aluguéis acumularam alta de 38,09%, enquanto os preços de venda dos imóveis cresceram 11,34%.
Representantes do setor atribuem essa diferença à combinação entre juros elevados, acesso mais restrito ao crédito imobiliário e redução da oferta de imóveis para locação tradicional.
Além dos fatores econômicos, mudanças no comportamento da população também influenciam o mercado. A mobilidade entre bairros e cidades, a busca por flexibilidade e a preferência por investimentos financeiros fazem mais brasileiros optar pelo aluguel.
Dados do IBGE indicam que a parcela da população vivendo em imóveis alugados passou de 18,4% em 2016 para 23,8% em 2025. No Rio de Janeiro, entidades do setor estimam que esse percentual já esteja próximo de 28%, enquanto a oferta de imóveis permanece limitada.







