Projeto “Meu Lugar é na Escola” acompanha alunos de Campos, orienta famílias e busca reduzir faltas e prevenir o abandono escolar.
O projeto “Meu Lugar é na Escola” acompanha estudantes de duas escolas municipais de Campos dos Goytacazes para reduzir a infrequência e prevenir o abandono escolar. A iniciativa também aproxima famílias e unidades de ensino.
Coordenado pelo assistente social Paulo Santos Freitas Júnior, o projeto é desenvolvido pela Coordenação de Serviço Social da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct).
A iniciativa começou em 2023 e atende alunos do 1º ao 9º ano da Escola Municipal Professor Clóvis Tavares, no Parque Esplanada, e do 1º ao 5º ano da Escola Municipal Senador José Carlos Pereira Pinto, no Parque Nova Brasília.
O trabalho tem caráter preventivo e começa no início do ano letivo com encontros semanais destinados a pais e responsáveis. As reuniões ocorrem nos horários de entrada ou saída dos estudantes.
Durante os encontros, a equipe orienta as famílias sobre os impactos da baixa frequência escolar. Entre as consequências estão dificuldades de aprendizagem, perda da rotina de estudos, repetência e risco de evasão.
O projeto também realiza atividades com os estudantes. Em encontros de cerca de 15 minutos, os alunos refletem sobre a importância da frequência e os efeitos que as ausências prolongadas podem causar na trajetória escolar.
Segundo Paulo Santos, a proposta busca mostrar que a frequência está ligada ao aprendizado, à continuidade dos estudos, à preparação para o mercado de trabalho e ao exercício da cidadania.
Acompanhamento pode chegar às famílias
A equipe utiliza recursos audiovisuais e materiais produzidos pelos próprios profissionais. O grupo é formado por assistentes sociais, articuladoras e estagiários do Serviço Social.
Quando as faltas estão associadas a dificuldades que ultrapassam o ambiente escolar ou a possíveis violações de direitos, o acompanhamento pode incluir visitas domiciliares, relatório social e encaminhamentos.
Entre os serviços acionados estão o Centro de Referência de Assistência Social (Cras), o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Unidades Básicas de Saúde (UBS) e o Conselho Tutelar.
“Quando identificamos situações que impedem a frequência regular, buscamos construir uma resposta articulada com os equipamentos e serviços existentes no território”, explica Paulo.
O trabalho também envolve articuladoras, conselheiros tutelares, com participação do Conselho Tutelar III, além de Cras, Creas, UBS, igrejas e Vila Olímpica.
A iniciativa ainda se relaciona com a Ficha de Comunicação do Aluno Infrequente (Ficai), instrumento usado para acompanhar casos de ausência e mobilizar ações voltadas à garantia do direito à educação.
Projeto muda acompanhamento da infrequência
Ana Paula de Souza Boa Morte, ex-diretora da Escola Municipal Professor Clóvis Tavares, acompanhou o projeto entre 2023 e 2025. Segundo ela, a iniciativa mudou a forma de analisar os casos de infrequência.
“Com o projeto, a gente deixou de ver a infrequência como um número e passou a enxergar como um pedido de ajuda”, relata Ana Paula.
A atual diretora da Escola Municipal Professor Clóvis Tavares, Milena Pessanha, está à frente da unidade desde março deste ano e também destaca o trabalho de orientação e escuta realizado pelo projeto.
Para Milena, a integração entre escola e famílias contribui para acompanhar os estudantes e fortalecer a relação com a comunidade escolar.
Acompanhamento individualizado
Na Escola Municipal Senador José Carlos Pereira Pinto, a articuladora da Ficai, Cauli Cukier, participa do projeto desde o início de 2025.
Segundo Cauli, o acompanhamento individualizado ajuda a identificar os motivos das ausências e a compreender os impactos da falta de frequência no desempenho e na socialização dos alunos.
“Mais do que registrar faltas, o projeto nos incentiva a olhar para cada aluno de forma individualizada, procurando compreender os motivos que estão levando às ausências”, afirma.
Com orientação às famílias, acompanhamento dos estudantes e articulação com serviços da rede de proteção, o “Meu Lugar é na Escola” busca atuar antes que as faltas resultem no afastamento definitivo dos alunos.
A proposta mantém a frequência escolar como foco do trabalho e reúne profissionais da educação, famílias e serviços do território para fortalecer o vínculo dos estudantes com as escolas municipais.







