Polícia identifica dois entregadores suspeitos de linchar ciclista em Copacabana, no Rio; seguranças já foram presos pelo crime.
A Polícia Civil identificou os dois entregadores que lincharam o ciclista Cláudio Rafael Landeiro na semana passada, em Copacabana. O Plantão Judiciário expediu mandados de prisão temporária contra Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva.
Até a última atualização desta reportagem, eles não haviam sido encontrados pela polícia.
Segundo a 12ª DP (Copacabana), Felipe e Ailton são os homens com mochilas de entrega que espancam Cláudio Rafael ao lado do segurança Davi Santos Machado. Davi e outro vigilante, Jorge Luiz Ricardo Dias, já estão presos.

Delegado apura exercício ilegal da profissão
A polícia vai investigar se os vigias também praticaram exercício ilegal da profissão durante a atuação na região.
Segundo o delegado Ângelo Lages, a dupla atuava de forma clandestina. Uma lei federal autoriza a atuação de empresas de segurança privada apenas dentro de estabelecimentos e prédios.
“Ali sequer existia empresa privada, eles estavam de forma clandestina prestando serviço para o comércio”, diz o delegado.
O delegado explicou as responsabilidades civis e criminais que podem recair sobre comerciantes e moradores que pagavam pelos seguranças.
“Os comerciantes ali que pagavam a segurança, eles podem ser responsabilizados na esfera administrativa, por exemplo, perda do alvará de funcionamento”, afirma Lages.
Na esfera civil, danos causados pela atuação dos seguranças podem gerar responsabilidade para o estabelecimento que os contratou. “A família pode pedir uma indenização à empresa que contratou o serviço de segurança”, diz o delegado.
Na esfera penal, segundo ele, pode haver responsabilização caso fique comprovado que o dono ou algum funcionário do estabelecimento contribuiu para o crime.
“Se a gente provar que de alguma forma alguém concorreu para o crime do estabelecimento, ele também pode ser indiciado pelo crime de homicídio”, acrescentou o delegado.
Seguranças são presos após o crime
Nesta quinta-feira, dois seguranças foram presos. Jorge Luiz Ricardo Dias, de 56 anos, se apresentou na delegacia por volta de 12h50 e foi confrontado pela irmã de Cláudio Rafael Landeiro.
“Gostou de matar meu irmão? Gostou de matar meu irmão?”, repetiu ela. O segurança não respondeu e entrou na delegacia.
O delegado titular Ângelo Lages confirmou que um mandado de prisão temporária foi cumprido contra o homem, mas afirmou que ele não participou diretamente das agressões.
“Ele teve uma participação acessória no crime. Vai ser cumprido o mandado de prisão contra ele”, afirmou o delegado ao g1.
Segundo as investigações, o segurança não chegou a agredir, mas esteve presente ao segurar a bicicleta da vítima e o porrete usado nas agressões. Em depoimento, Jorge disse que alertou para que Davi não cometesse as agressões.
Davi se entregou no início da noite na 53ª DP (Mesquita).
O delegado disse que a Polícia Civil identificou participação de quatro homens no crime, sendo que três participaram das agressões, depois que um segurança desconfiou de que a bicicleta era roubada.
Segundo o delegado Ângelo Lages, a vítima estava na Rua Barata Ribeiro quando foi abordada pelo segurança, identificado como Davi. O rapaz tinha problemas psiquiátricos e não conseguiu explicar que a bicicleta era da irmã.
“O crime começou na Barata Ribeiro, um segurança começou a interrogar de quem seria a bicicleta e ele, com dificuldades de fala, não conseguiu explicar que a bicicleta era da irmã. Depois chega um segundo segurança e tira a bicicleta da posse dele e começa a agressão”, afirma o delegado.
“Depois, ele sai dali e vai para a Rua Felipe de Oliveira e senta na porta de um prédio. Ali chegaram dois entregadores e novamente aparece o segurança Davi com um porrete e começam a agredi-lo de forma bárbara. Os seguranças já foram identificados, para fecharmos a investigação por completo só falta identificarmos os entregadores”, completa o delegado.
Para o delegado, o crime teve grau extremo de crueldade. “Um crime hediondo, um homicídio triplamente qualificado com crueldade e motivo fútil, sem possibilidade de defesa da vítima”, define Lages.
Dois homens já foram identificados. Câmeras de segurança de um prédio de Copacabana registraram o linchamento.
Nas imagens, três homens cercam Cláudio. Dois deles portavam mochilas de entrega, e o outro segurava uma vareta, com a qual desferiu ao menos 30 pauladas contra a vítima.
O trio ainda alterna entre pernadas e socos até que a vítima cai na calçada, segundo as imagens obtidas pela investigação.
Câmeras registram sequência do ataque
O crime ocorreu na noite de 11 de agosto. Cláudio estava com a bicicleta da irmã e parou em frente a uma loja na esquina das ruas Barata Ribeiro e Belford Roxo, onde desceu e ficou em pé, na calçada.
Pessoas que suspeitaram dele chamaram seguranças da rua. Um deles perguntou o que Cláudio queria com a bicicleta. Sem resposta, um vigia deu uma paulada no braço do ciclista.
Cláudio, então, foi até a Rua Felipe de Oliveira, onde se sentou na escadaria de um prédio. A partir desse momento, o episódio é registrado pelas câmeras de segurança do local.
Os homens com as mochilas chegam de bicicleta e interpelam Cláudio. Na sequência, o vigilante com a vareta aparece. As agressões começam, com pauladas contra a vítima.
Cláudio se levanta da escada e tenta escapar, mas é segurado pelo grupo. O trio desfere socos e chutes. Cláudio, que em nenhum momento reage, cai no chão desacordado.
Os agressores ainda vasculham os bolsos do ciclista, e o vigia também tira uma foto da cena. Todos vão embora, deixando Cláudio ferido na calçada.
Bombeiros são acionados e socorrem Cláudio. Ele foi levado para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu aos ferimentos.
Segundo informações repassadas à família, a causa da morte foi traumatismo craniano e hemorragia interna.







