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Tráfico e milícia controlam fornecedores de padarias e mercados no Rio

Investigação revela esquema que obriga comerciantes a comprar de fornecedores ligados ao tráfico e à milícia em comunidades do Rio.

Centenas de comerciantes do Rio vivem como reféns do tráfico e das milícias, que impõem fornecedores em comunidades. A reportagem do Fantástico investigou durante dois meses um esquema de monopólio ilegal que afeta padarias, mercados e barbearias.

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Os comerciantes são obrigados a comprar mercadorias de empresas determinadas por criminosos, sem possibilidade de escolha. Quem tenta adquirir produtos de outros fornecedores recebe ameaças. “Tem que comprar, sem escolha”, resumiu uma vítima.

O esquema atinge produtos básicos como farinha, ovos, alho, cebola, carvão, água, gás e material de construção. Além da imposição dos fornecedores, comerciantes afirmam que pagam taxas para manter os estabelecimentos em funcionamento.

Na Zona Oeste, o controle chegou à venda de frango assado. Caminhões de empresas concorrentes são impedidos de entrar em áreas dominadas por facções. Motoristas recebem ameaças de roubo e incêndio dos veículos.

“Eles só avisam que a partir de agora somos obrigados a comprar com essa empresa. O recado foi dado e você tem que cumprir”, relatou um entrevistado.

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Preços sobem para o consumidor

O monopólio provoca aumento de preços. Em algumas localidades, o frango assado subiu de R$ 10 para R$ 40 após a entrada dos grupos criminosos no mercado.

A farinha de trigo está entre os principais alvos das investigações. O Fantástico registrou o movimento em duas empresas investigadas: a Evolução, em Campo Grande, na Zona Oeste, e a Fênix, em Madureira, na Zona Norte, área dominada pelo Terceiro Comando Puro.

“Uma farinha de baixa qualidade, que gira em torno de R$ 70, a gente era obrigado a comprar entre R$ 100 e R$ 110. O preço do pão francês tem que aumentar para alimentar tudo isso”, contou um produtor.

Os advogados da empresa Evolução afirmaram não poder responder por não terem acesso às imagens. “Isso, para nós, é mera especulação”, disse o advogado Luis Felipe Vieira. A Fênix negou qualquer vínculo com organizações criminosas e disse estar à disposição das autoridades.

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Ameaças e mortes no caminho da recusa

Em março do ano passado, o comerciante Rafael Oliveira Braga foi morto em frente à própria padaria após se recusar, segundo as investigações, a comprar farinha de uma distribuidora ligada ao esquema. Dois homens foram indiciados pelo crime.

Na última quarta-feira, a Polícia Civil cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em endereços ligados às empresas investigadas. Em um depósito, agentes encontraram produtos fora da validade e prenderam um homem em flagrante. Em outro, havia alimentos próximos a fezes de animais.

As investigações apontam que o controle da venda de produtos abastece o chamado caixa de guerra das facções, usado para compra de armas e manutenção do domínio territorial.

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