Polícia investiga rede de apostas ligadas a “Adilsinho”, PCC e máfia do cigarro. Operação bloqueou R$ 65 milhões e cumpre 15 mandados.
A Polícia Civil, via DCOC‑LD, lançou nesta quinta-feira (16/10) a Operação Banca Suja, destinada a desarticular uma estrutura de cassinos online ilegais, fraudes a apostadores e lavagem de dinheiro, com movimentação de R$ 130 milhões em três anos.
Foram expedidos 15 mandados de busca e apreensão e bloqueios financeiros no total de R$ 65 milhões.
As ações ocorrem no Recreio, Duque de Caxias e Belford Roxo, com objetivo de atingir toda a base econômica da quadrilha.
Embora Adilson Oliveira Coutinho Filho, o “Adilsinho”, não tenha sido alvo direto desta fase, a investigação tenta esclarecer se ele está envolvido no novo negócio criminoso de apostas on‑line. Ele já é acusado de contravenção e ligada à máfia do cigarro.
– Ao seguir o dinheiro, atacar os fluxos financeiros e descapitalizar estruturas criminosas, a Polícia Civil vai além da repressão direta e enfraquece os alicerces econômicos que sustentam facções e redes organizadas – Secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi
– Bloqueios e apreensões podem ser revertidos em favor da Polícia Civil, fortalecendo o estado e reduzindo o poder econômico dessas organizações – Delegado Henrique Damasceno, diretor do DGCOR‑LD
Como operava o grupo
A investigação identificou que o cassino online era operado pela empresa Palpite na Rede, sob o nome One Publicidade e Marketing Digital Ltda. Transferências milionárias foram feitas entre contas ligadas ao cassino e empresas de fachada sem lastro financeiro.
A plataforma divulgava apostas de forma ostensiva nas redes sociais, embora não constasse na lista de operadores autorizados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
O grupo também usava empresas de fachada, transferências fracionadas e operações simuladas para disfarçar a origem ilícita dos valores.
Relações com crimes estruturados
As investigações apontaram forte conexão da quadrilha com a máfia do cigarro e o PCC. Vínculos foram detectados com empresas que comercializam filtros de cigarro e empresas com transferências vinculadas ao núcleo principal.
Grupo era suspeito de manter vínculos com uma fábrica clandestina de cigarros fechada em 2022 em Duque de Caxias, e com pessoas envolvidas no contrabando de tabaco.
Empresas como AGR Distribuidora de Bebidas movimentaram R$ 36 milhões em pouco mais de um ano; parte desses valores foi transferida para Bettr Filters e Burj Administração, empresas associadas ao esquema.
A Operação Banca Suja segue com o objetivo de destruir a base econômica da quadrilha, além da captura de suspeitos. Os valores bloqueados e bens apreendidos devem ser usados para reforçar o combate ao crime organizado.
Se for comprovado que Adilsinho está envolvido, será um golpe significativo contra um contraventor já conhecido do crime estruturado no estado.







